Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Um Vários

(tirei esta da espetacular janela do meu amanhecer de um apê)


Há mundos colidindo em mim e me formando, formações
evoluções desequilibradas para o cachorro existente dentro
querendo roer ossos da fidelidade de se expressar quando
na imaginação tem gente, diria demais, mas não é

sem se levar a sério na seriedade de não ser se lembrando de esquecer

nas mudanças ranços enteiados das partes sempre chuvosas
umedecendo as partes secas, esfriando as partes quentes
parando no ar nas mediadoras folhas do tempo marrom
diria dos imaginários amigos mas são eu de mãos dadas personalizadas
todos esperando sua vez de se expressar na própria evolução partilhada

Daí vão dizendo ais no tempo molhado escorrido compartilhado
alguns cheios de sais outros adocicados demais, uns falta até tempero
Como um exagero gastronômico, mas literário na altura dos olhos que pode ser um galho
Pronto para quebrar, partir ficar, mas pretende sentir,
para me formar um, são necessárias várias multidões de mim.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h, 23 de agosto de 2009.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Volte outra hora

(deitado em um chão antigo tirei)


Aquelas horas estavam enrugadas
na banheira de rugas expressivas
ao redor das olheiras espalhadas pelo corpo
despercebidas no desaperceber daquele sal nas águas
fazendo da profundidade superfície flutuante do pilar

de uma liquidez liquidada na voracidade devorada sem constituição
uma repartição não repartida para fora do bando uivando seus balires
matizes pastorais da maioria, rebanho, respondendo os sinos babando
falas shakespearianas nos lugares-comuns, comunamente se esgueirando
pelas beiras das sombras matreiras

Quem diria o dizer mastigado com pedaços de engasgo
faltando o ar nos neurônios de últimos suspiros
suspirando
garganta tapada tapando o ouvido ao fechar dos olhos
três macacos
não há vagas.


Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h28, 16 de agosto de 2009.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Somos.

(tirei foto dos candangos )



Páginas em branco escritas, Vão ao vento voar
Soltas em elos existenciais sem espaço nem cálculos
Toda distância é proximidade calorosa de uma batida
Amores de um coração imenso de essências glórias
Não há tempo na amizade nascida de um reconhecimento
são circunstâncias necessárias da vida para poder inalar ar
em retumbâncias ecoadas na alma em eternidades laçadas
de sentimentos descritos justiçados depois de uma olhar mareado
Na única maré cheia sempre, de perdas de fôlego
Persistente em ser toda uma extensão de apoio de mãos
Sustentação de brilhos no olhar, de sorrisos cegantes, de corpos em pé...
Passos adiante, triunfantes abraços, ombros presentes, raízes ascendentes, fé
Todas as promessas em pessoas imperfeitas, a melhor das perfeições feitas vários
O Santo Graal, verdadeiro relicário reluzente
Está em nossa gente vista mesmo fora da proximidade
A maior profundidade de quem somos, Amizade.

10h55 (Rafael Belo) Folha, 10 de setembro de 2009.

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Interpretação textual

(tirei da onde mesmo hehehe ee estrada ainda bem que estava deserta)



Chocaram-se em perdição
naquele caminho obstruído
só havia dúvidas e joelhos abraçados
até a cabeça martelar a parede do atalho
e rachar enfim de um talho interno de bolor

entalho na pele enquanto célebre árvore
de pernas que perdem a noção do equilíbrio
forjado da queda estreia vazia, naquela floresta deserta
de gritos e aplausos chocados de superação concreta de caos
inverso no avesso contrário averso ao paradoxo imaginário de acertos

foi um raio de um céu limpo
chocando o cume esverdeado de galhos secos
partindo o tronco em dois na multidão de engarrafados
no fluxo corrente corrido de falsos independentes
surdos aos estrondo brutal nos aplausos gritados dos invisíveis.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h13, 16 de agosto de 2009.

Domingo, Setembro 06, 2009

Captando movimentos/exposição a luz

http://captandomovimentos.blogspot.com/







http://captandomovimentos.blogspot.com/

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Liza Vazi

(tirei esta em um trabalho com três amigos, me chamou a atenção a maestria do reflexo e do convite)

por Rafael Belo

Vazaram os sentimentos em uma nascente de liberdade. E ela estava vazando todos de uma vez sem preconceito sem rejeição. Era preciso. Soltou as amarras da sua vida. Era território completamente desconhecido. Tirar o dentro pra fora. Nada de fugas desta vez. Enfrentaria e não voltaria atrás. Pelo menos era o pensamento fixo que a tomara. Liza Vazi andava só com seus papéis e a cada passo sorria mais e chorava mais. Era um misto sentimental inexpressível em palavras mas super claro.

Quem passava via uma jovem sem juventude com vários livros, HQ’s e cadernos de anotações fortemente pressionados sobre o peito, o rosto vazado dos olhos de mel escuro com uma sombra prateada manchada pelas várias horas de caminhada sob o frio daquele domingo primeiro, os dentes superiores para fora mordendo os lábios inferiores e muita determinação naqueles 16 centímetros a mais de meio metro de pessoa de pele amarelada. Magrinha que só pena do vento para ela não decolar. Quem disse que esta não era a vontade dela? E se a medisse por dentro... Bem, veriam ser impossível usar de medição!

Quero decolar. Tenho antes de encontrar minha pista de voo. Minhas manobras começaram. Como um salto do vigésimo andar para perder minhas asas forçadas da paternidade. Cara, eu não sou um ideal de gente. Nem quero poder ser. Mãe, pai me desculpem ais a filhinha queridinha aqui sabe quem é antes de vocês aos 30 e muitos. Cansei de ser tratada pela minha idade e vocês dizerem: “madura demais, criança!” Criança?! Pelo amor! Escolham palavras melhores. Espero saberem da minha partida, não fuga, ser necessária. Posso ter 15, mas meus 15 valem o 21 de vocês e olha que vocês nem chagaram lá ainda. Podia ter deixado uma carta assim. Não quis. Fui clara “um dia eu volto. Amo vocês. Smack smack , smack smack. Uma bela olhada nos dois esmagador abraço, outra olhada e até. “Vocês fizeram o possível. Agora é comigo!”

Sou Liza Vazi. LIZA VAZI. Grande coisa para mim. Posso não viver do meu sonho, mas tentarei até o fim. Houve sempre algo me atraindo para isto. Este momento. Agora nele não tenho pressa. Não mais. Cadê meu espelho? Aí está você sua monstrinha bela! Espero não aparecer na tevê. Nada de muita maturidade. Isto seria mostrar que sou totalmente madura. Pode ser pra minha idade até demais. Idade não é problema eu sei segurar minha mente. Mesmo pesada.

Minha liberdade chora. Como se fosse o doutor Frankenstein, mas com quase as próprias palavras. “I’m alive! Finally!” Pouco pretensiosa no linguajar estrangeiro como se fosse “ás” das línguas. Passando as mãos nas capas das minhas outras liberdades escreverei estas histórias com minha aquarela. As mulheres têm de criar seus próprios personagens nos quadrinhos. “Vazante”, dona das lágrimas da vida, da força e da leveza pra voar. Agora, onde está minha pista de manobras?!

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Dias chuvosos

(tirei esta ao lado do supermercado há dois anos)

Por Rafael Belo

Dia chuvosos são caóticos para o caos das cidades... Fora sábados e domingos onde se nota a úmida ausência de pessoas nos lugares. Os outros cinco dias parecem forçados por trabalho de servidão - às vezes os seis, até os sete. Há a milenar robótica de atos conduzidos por repetição. São 24 horas de branco, como se fôssemos ideias abandonadas. Bem, 12 horas na verdade, as outras 12 são o apagão no fechar dos olhos, só há escuro na mente. Como indicado por aquele médico obsceno e monstruoso.

Por indicação arrumamos rumos nas nossas direções. E no fim da linha algo ajuda a deitarmos nos trilhos para viver outra vida, mas os trens não passam mais. Um desperdício a menos, um trabalho pesado para os corações que nos querem a menos. Ufa. Chova chuva, chove porque viver para trabalhar não é vida, bem, é vida de inseto. É ser operário, zangão de colméia em função da monarquia, mas vivemos uma aristocracia. Nossos nobres detêm o total ou pelo menos dois terços da riqueza brasileira ou/e propriedade. Seria democracia se fosse, nós, plebeus o povo possuidor destes terços.

Mas, esperem... Não... Continuem... É só papel oficial e nossa falta de atitude. Afinal, nossa pessoa é nossa maior propriedade, sinal de liberdade O Estado então é o único livre destituidor. Quem está contando a minoria burga dos aristocratas usurpadores do platô o poder de lacuna interina?

Dias chuvosos são caóticos para o nosso caos... Fora quando nos permitimos reanestesiar durante a semana onde nota-se nossa úmida ausência como pessoas. Nos lugares. Os outros dois dias parecem forçados por trabalho de servidão já presente na mente e na programação – às vezes três ou quatro quando se prolongam as emendas. Há a milenar máscara do pão e circo separando bons e maus a parecer haver só eles definidos. Ah, sim, claro! Nas áreas cinza estão os lagartos e os largados.

Carros abandonados aos pedaços longe dos centros são suficientes para proteção do vento, portanto boas moradias. Pelo nosso abandono me sinto como um morador sortudo de um carro ao relento. Nele há os despossuídos. Nos despossuídos há o quê senão a esperança de um pão amanhã? Não sei dizer, mas não parecem querem muito como se não pudessem. Parecem sentir-se diminuídos diante dos abastados comedores de pães diários.

O sol não aparece. Seus raios invadem as brechas do céu para os brechós em nós. Assim se sabe haver uma luz acima de nós para nos aquecer e ela se descobre dentro também. Mas açucares, aspartames e adoçantes em geral não saem na chuva, porém dão um adocicado sabor ao amargo café da vida como ela é para alguns. Dias chuvosos são tempo de reflexão como se o clima se alterasse para ver se o mesmo acontece com a consciência do coletivo, coletiva e de cada qual. Derreter na chuva só é obra de alguns a saber a ordem no caos, mas pode ser de todos.

Sábado, Agosto 29, 2009

Gestação de pregnâncias

(uma pequena maravilha no meio da grama do lado de uma barragem tirei)

Impregnado lugar de ceifa
Ceifados olhares parados em plenos movimentos
através do olhado estagnado em um ponto não visto
revisto dos incontáveis déjà vu enfileirados
nas plumas pombas revoando as ideias repensadas

Pensamentos cheiram a sensação daquele lugar
deitado em um imenso espaço desproporcional, medido
não estou lá, pois, lá está aqui me impregnando
de acessos aos tempos mentais sem números
me referindo referências dos meus acúmulos, limpos de pó

deixe minha poeira me revelar
revelação de coisa alguma
a não ser de mim mesmo
como era ao nascer luz
sem posição fetal

toda as cores
dos mundos

todos os cheiros
dos infinitos partos.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 12h52, 16 de agosto de 2009.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Conversas com a Lua


(Um presente já entregue para uma aniversariante deste dia 28)
por Rafael Belo

Vestia um sorriso sobre suas vergonhas, uma ansiedade desproporcional, certa inquietação, muita emoção e claro dúvidas-dúvidas-dúvidas. JS16 não ia completar 17 e ainda está no fim dos 15. Contando os dias os via lentos, até arrastados. Dormia pouco ou demais, sem meio termo. Certo era sua conectividade. Queria alguém para ser seu, outra certeza. Fiel, amiga, mas vira e mexe a emoção tomava conta à “ajudando” a cometer os repetidos erros. O que nem sempre era ruim, mas dava aquela sensação de cachorro correndo atrás do próprio rabo. Subestimava-se.

Com seu mundo caindo e levantando quando menos esperava era uma das poucas adolescentes da raiz da palavra. Sua mentalidade extrapolava, às vezes, até as mais vividas. Meiga. Esta era a qualidade principal para a lua se interessar por ela. Conversando por troca de luares, assim que o sol se decompunha com horizonte. Momento esperado por ambas. Olho para a lua e sinto que ela me diz ser eu enluarada a brilhar luar sereno para ela, mas como seria possível?

Que inocência brilhante, pensava a Lua, a enxergar um sorriso puro despido e os desejos, de JS16. Esta de costas na cama sentia seus desejos realizados, sonhava. Minha liberdade eu quero – mal sabendo a poder conquistar mais e mais perante os pais e o mundo. “Chorona”, disse para o vazio do quarto com as luzes laranjadas das janelas do MSN. Chorar fácil era muito bom, mas desconhecia. Lágrimas eram fortalezas erguidas e não fraqueza demonstrada.

O quê virá? Interrogava perante sua delicadeza e educação. Sua simpatia, beleza e inteligência rogaram rubores. Errar é tão bom quanto acertar, iria pensar. Estava no Biquíni Cavadão: “ ...Quanto tempo será que demora, um mês pra passar?...”. Quero me sentir livre. A Lua se encheu. Cheia respondia: “Você e acha incompreendida e acaba se explicando demais, mas no fundo sabe não ser bem assim. Sabe que não consegue disfarçar seus pensamentos e sentimentos, a dominavam”. Descobrira ser bom, nada se controla de fato na vida e podemos nos preparar se ansiedade.

A Lua e o frio leve, a viram. A acompanharam. Descalça, de preto básico e jeans corria a noite pelo impulso. Gritou de alívio. Quantas não queriam ser impulsivas... Sorriu sua sorte e pairou seu luar e sereno.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

“De novo”


(Viagens sul-mato-grossenses o retorno, tirei co mvárias intenções)


não há bom dia – nem cumprimentos
qualquer aceno é censurável
um sorriso daqui
uma dúvida de lá
as ruas são antisociais

pessoas nuas, existem mais
estão
tão vestidas
revestidas dos seus próprios mandamentos
inseridas, em seu mau comportamento

se olham –fingem que não
se olhadas – quando não ofendidas- abrem um buraco no chão
possuem todos os dedos –ou nenhum
no meio termo podiam ser incomuns
mas há tantos a seguir – que em seguida são mais um.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h49, 17 de julho de 2009.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

O Filho de Murphy


(quintal, era uns dos milhares da minha falecida vózinha)
Por Rafael Belo

Ele acordou, como costuma fazer depois de dormir, sempre irritado por ter de levantar, sair do quentinho e do breu gostoso do próprio quarto -ou de um quarto qualquer. Já que vive de aluguel e de favores. Sentia algo estranho e pensou não ser nada anormal. Ledo engano. Dário Impossível logo descobriria sons desconcertantes saindo da própria boca. Mas, por enquanto estava calado e com gosto amargo da fome. Ainda não abrira a boca sequer para bocejar o sono ainda trajado de amassos.

De repente o acúmulo de bocejos evidentes pelos olhos lacrimejados e de-o-quê-estou-fazendo-acordado foi mais forte e um forte múúúúúúu ressoou na cozinha vazia. Blam e caimcaimcaimcaimcaim seguidos de um longuíssimo e assustado méééééééé vieram do chão. Assim, aos sair do primeiro som, Impossível tomou o maior susto da vida antes de tomar o copo de leite, se jogando para trás e despencando de costas no chão de madeira. Eles emitia todos aqueles sons? Desde quando se tornara poliglota animal?

Sem resposta passou a língua nos lábios que silvou tssssssss e ele pulou do chão para a mesa que quebrou uma das pernas e o jogou no chão a emitir guturais uuuuuuuaaaaauuuuaaaaaa. Ele lembrou de Tarzan, mas ele não era rei de nada nem de bosta. Não era órfão ou Mogli. Não era viajado nem conhecido. Era um puta de um anônimo, mas não rodava bolsinha na esquina muito menos impedia que rodassem. Mas, seu cérebro Neandertal coçador de saco, impossivelmente processava alguma resolução. Não, processava mesmo era a causa de tudo. Pensou algo ao som da noite uuu uuu uuu. Corujão plena manhã.

Então, piou muito e soltou trrruuubrrruu e já que estava nessa relinchou. Pegou sua bolinha favorita de trinta anos e ficou jogando pra cima ronronando, rindo feito hiena da sua cômica tragédia.começou a rosnar e realmente teve vontade de morder o próprio rabo imbecil. E ficou rodando sobre o próprio eixo. Animal! Vivia como um animal auaauaua. Vivia agredindo verbalmente os outros com coices e patadas. Tirando vantagem das carcaças da vida, feito urubu reinando na falida procriação dos seus genes. Pensava voar alta feito a livre águia quiáquiáa, mas era mais para um roarrrrrr, um leão sem bando. Abandonado feito um gatinho indefeso de um circo malcriado, sem garras nem juba.

Após balir e uivar ao mesmo tempo. Pensou ser filho de Gérson, mas não, era filho de um bom macaco. E uiiii feito um porco aproveitou a lavagem e pensou bem ruminante: vou tirar vantagem de tudo isso. Em um quase coito saiu galopando para avisar alguém da sua vantagem animal. Quem convive com animais selvagensenfurecidos? Abandonado ele deveria ir para adoção – mas quem quereria? Ele não sabia ser na verdade filho de Murphy e de uma camisinha furada e daquelas mudanças que você sempre deixa e/ou esquece um cachorro pra trás. Só que ele era o cachorro.

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

“Antes”


(mais uma que tirei do ex quintal)

pensava a afastar do coração
a tendo distante do pensamento
mas em nenhum momento, ela me deixou
não sei se era amizade ou amor

falta em mim, ela
está na minha mente, subconsciente
de sonho em sonho a me despertar
amanheço com ela
ela não está

vi seu ventre me acolher
acarinhar-me com ternura
era sempre, eu, a massagear lhe por inteiro
suas lágrimas me abraçavam
o coração pensava- o pensamento batia

a gente se conhecia
de tempos atrás
antes do conhecer.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h36, 17 de julho de 2009.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

“Simples motivo”


(já subi nesta, mas esta foi dos primeiros dias de facul abaixo da antena torre, que já me transmitiu)

por Rafael Belo

Estava estranho. Me sentia recém parido. Das entranhas da luz. Mas, estava escuro fora do ventre. Era dia feito. Crescido com todo biotônico solar de uma preocupada infância. As vozes encorpadas nas rua, os insistentes latidos dos cachorros vizinhos, os carros sempre atrasados seguidos de buzinas e freadas impacientes, mas faltava alguma coisa.

Fiquei no escuro e no som dos instrumentos de músicas clássicas até o escuro se estender para as ruas ainda agitadas. Tinha certeza de algum mal-estar e me inibi de me movimentar. Nada de comida, nada de cochilo, nada de banheiro, nada das necessidades ao necessárias agora ao meu corpo. Meu castigo minhas chibatadas por não decodificar meu sentimento enrolado no pescoço.

Aquele piano frenético viria a me irritar. Muitas notas por segundo. O telefone chamou até cansar. Depois um celular e então o outro. Batiam palmas lá distantes na calçada. Batiam no portão. Bateram na porta. Chamaram meu nome. Meu nome foi gasto até acabar. O silêncio substituiu a insistência exceto pelos carros ainda velozes e cheios de buzinas no asfalto.

Do meu espaço pacífico e estanho vinha espaços de irritações contorções faciais a cada bagageira “incomodação. Seria necessário “o quê” para dize mais “não estou aqui.”Isto não bastava. Substituível feito tudo - menos o sentimento - e não há problema algum. Não existe insuficiência de presença, pois de alguma forma sempre estamos.

“Hoje era meu dia de sombra”. Repetia meu novo mantra. Mais ainda havia o estranhamento me mordendo. Mordia minha boca, minhas mãos, minhas pernas e meus pés até começar de novo e de novo... Ficavam marcas invisíveis a arder e queimar se espalhando pela minha corrente sanguínea para um, um grito enlouquecedor. Típico desabafo. A pergunta era: “O quê está abafado, afinal?”.

Ensaiava meu olhar vazio e o atuava pelos cômodos mais escuros e cheios de sombras, agora. Já me permitia sair do castigo, me movimentar livremente. “Por que então estava tão preso, tão pesado?”. Mudei a tática. Fui me esvaziando pele por pele, pensamento por pensamento, respiração por respiração... Senti um bom vazio me inflar no sopro de um ar quente imperceptível.

Estava estranho simplesmente pela primeira lembrança de estar de férias!

Domingo, Agosto 16, 2009

Balada minha


(tirei a bombordo de uma balsa)

Gaiola sempre aberta
do som do periquito
apitando os perigos da proximidade
de um verde amarelo avermelhado saboreando desconfiança
nas bagunças de uma casa de coisas

mãe e pai órfãos de lugar, perante a tevê
nada se vê, tudo se imagina
na cisma das imagens, captarem o medo
atiçarem, atos covardes
transmitidos na seriedade de uma visão

então, a ação e proteção
mesmo por uma ligação
maternidade e paternidade, terminam não
quem dirá filiação
a gaiola não tem grades

lá fora tem mais jeitinho de prisão.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 19h18, 16 de julho de 2009.

Sábado, Agosto 15, 2009

A imagem da palavra


(tirei esta no quintal da ex-casa)

Não a via há dez anos
Não tinha meus números profanos que ninguém fez
Mesmo assim ligou
Feliz ou algo havia- contando coisas pelo nariz
Infortúnios da beleza

Havia destreza e intimidade
Porém, poucas palavras troquei com ela
Uma das mais belas daquela cidade sem importunidades

Olhei pro teto
Depois do sonhei

Era o sonhar da confiança
Aos meus íntimos
E aos outros
Recuperei minhas palavras viciadas
Palavras perdidas de um sonho.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h58, 16 de julho de 2009.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Pescador de atenção

(tirei nas margens do paraguai, só que este não mente só quer peixe)
por Rafael Belo

Às vezes -quando escuto histórias – atento meus ouvidos públicos e presto muita atenção. Quando a conversa é entre homens ou de um homem para uma mulher, lembro de Cazuza e sua menor “Menor Abandonado”: “Mentiras sinceras me interessam, me interessam”. Não pelo fato da mentira em si e seus artifícios de vantagem, mas pela sinceridade da forma contada. Por acreditarem na “contação” e no acreditar do ouvinte. É um pescador de atenção. Mas, não me peça para acreditar.

Tais mentiras desimportantes são conhecidas, pois nas histórias com finais morais quando esta pessoa diz a verdade, não há quem acredite. Mentiras inocentes viram vícios de alguns. Elegem muitos - mitos – e deixam de ser inocentes. Tomam proporções quase impossíveis de desmentir, uma vida de mentiras.

É como fingir de morto perante a vida e rolar – dizendo ser espasmos da morte. Detesto mentiras e me afasto de mentirosos. Funciona nas primeiras vezes e se acaba patológico ou meramente compulsivo dificilmente não se percebe é como uma Winona das palavras, um cleptomaníaco do palavreado.há um ditado sobre os ases da mentira: os poderes norte-americanos . Diz: “George Washington não conseguiria dizer uma mentira, Richard Nixon não conseguiria dizer uma verdade e Ronald Reagan não saberia diferenciá-las”.

Não diria faltar malícia para diferenciar ou sobrá-la para desconfiar de tudo. Nem haver inocência incapaz de identificar. Apenas acredito ser um vício. VOCÊ experimentou, te fez um mal – como me faz (não é uma confissão), você só volta a fazer se for um sádico ou sadomasoquista. Gostou do poder de dissuadir e enganar – Virou viciado. Manipular realidade e fantasia não me faz me sentir um mentiroso penso ser um entretenimento e um sabor coletivo. Mentir é uma fuga, um disfarce ou entretenimento pessoal com aquela palavrinha amarga: egoísta.

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Desnome

(tirei estas nas viagens sul-mato-grossenses)

Coisas ruins gostam de vir em sucessões
só se sucedem
para depois virem boas
boas coisas, são apenas mais um ponto de vista
como, unicamente, penas
não serem a razão de voar

mas muitos voam, imprudentes
dentes pra fora e ausentes
iniciantes e experientes
esperando a ruindade passar
sem, às vezes, nem pensar

em agir diferente
bondosamente ou por bondade
fica a vontade de escolher a semântica
pois coisas são algo qualquer – que não queremos nomear.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h43, 16 de julho de 2009.

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Sentidos

(não sei onde tirei esta -risos- da torre antena)


Quando alguém está escondido
nem adianta procurar
provavelmente nem saber estar
encolhido em algum palco em si
desaparecido de qualquer outro lugar

atuando uma imagem favorecida
conforme com quem conversar
em algum lugar esqueci
sinceramente ser
um banquinho e o escuro

você pode me dizer quem é
aquele diz quem sou

misturo o segredar liquidificador, junto com uma dor
bebida insana da saliva
escondida na plateia.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h29, 16 de julho de 2009.

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Merecimento

(tirei lá naquele reduto)

por Rafael Belo

“Os que merecem ser atendidos”. Ouvi de uma médica. Há algum cúmulo maior!? E o desespero e autoisolamento de quem está “infectado” com a gripe suína. A H1N1. Morreram algumas dezenas e a vacina só será produzida no Brasil no próximo ano. Claro, se ela pode esperar até o início das aulas por que não mais um ano! E como a Déia disse é “gripe escolar...” Porque de resto ela é antisocial. Milhares de casos registrados. Foi rápida a saída de uma epidemia para uma pandemia, gerando pandemônios. Há relatos do não atendimento de suspeito da influenza. O digníssimo secretário de Ciências, Tecnologia e Insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, diz estar preparando parar “combater uma ‘eventual segunda onda’ da pandemia do Brasil, prevista pelo ministério para o próximo inverno, relata ainda a pesaridade deste problema grave, mas a vacina não servirá agora.”

Certo mesmo é tudo isso ter cara de endemia. Por quê a lentidão da vacina, vamos esperar um ano e quantas mortes mais? Espero nenhuma... Com tantas más abordagens como ficamos!? Desespero nunca adianta. Não há vacina contra a ignorância e conhecimento demais se saturado. Merecimento!? Chocante!?Qual o critério de “merecer” ser atendindo?! É um absurdo! “Isto é uma vergonha”, esbraveja enraivecido Boris Casoy. Se você estiver com febre-dor-de-cabeça será atendido depois – e olhe lá- de quem estive com febre-dor-de-cabeça-vomitos.Passe bem!(?).

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Tonicidade


(subindo as escadarias, tirei na torre dos sinos)

As coisas se moviam pelo ar
diante de atônitos olhos inquietos
nenhuma o acertou, boquiaberto

mas, ela os atirava em revolta
sem mira. Só objetos e palavras

veio de uma volta corriqueira

até com o gato preto que voava
cada qual se espatifava

feita a supertição da promessa quebrada
Quando foi – porque disse que ia.
Mas voltava – porque não aguentava

ele se movia pelo ar
nas coisas que o aquecia

não queria ser mai um par
mas um par queria

ambos olhares se encharcaram

o mover era atônito e inquieto.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 17h08, 16 de julho de 2009.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

A existência


(O reflexo da cidade no meu olhar, tirei na torre dos sinos)

Com um beijo partiu da vida
Desta para jamais
voltar àquela idade

sonhava ser seu sonho
nã queria ser mais criança, não era

foi fuga ferida
só com atitude romântica, infantil

depois dos lábios molhados
colado a outra boca
não era mais do mesmo

da mesmice rstava o olhar,
mas mais apaixonado

tarde dormiu ao gosto do sabor do beijo
cedo cedeu seu novo eu

ao provar único sentimento
procurado por toda existência

Um beijo em essência.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 16h42, 16 de julho de 2009.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Um nó


(Pelas ruas de CG, tirei perto da casa da minha vó)

Há dentro de nós certa mentira
a dizer nossa falta de se envolver
Mais ao fundo, há certa verdade em nós
sempre nos envolvendo

Somos um nó de questionamentos

Desatar em entrega,
é um arrepio inconsequente no abismo do estômago

Então, há aquela canção trilhando momentos como este
nos levando ao longe, distante desembaraçar

no nosso desembaraço sorrimos
do nosso ridículo particular

Rimos por não nos atrever, atrevidos
a querer equilibrar as coisas


rimar apenas por versos de felizes finais iguais

Quero desequilibrar hoje
Cair, quebrar, não procurar nem ceder explicação

Chega de nós.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 19h19, 13 de julho de 2009.

Domingo, Agosto 02, 2009

Procissão da madrugada

(Tirei esta ainda na facul-testando a máquina)

Por Rafael Belo

Não havia nada de especial neste dia, como há muito não havia na minha vida. Com o péssimo hábito gostoso de caminhar durante, um pouco antes, da quarta parte do dia: a madrugada. Estava eu chutando estrelas quando senti a umidade no ar e o frio (estávamos em uma época incrivelmente seca). Há alguns passos de mim a chuva mansamente me espreitava. Olhei devagar na direção contrária das gotas. Estava vazio feito uma casa abandonada às pressas. E toda aquela água me fazendo charco e um rio vertical, me preenchia enquanto a noite se transformava em madrugada.

Foi um tempo interminável me fazendo ajoelhar. Me sentia uma nascente. Uma divisa solitária do nada ao tudo. Aquela chuva. Aquela chuva era o retorno da minha alma perdida? Não mais! Desde minha mais senil lembrança me fadei ao fracasso, desistindo e não terminando nenhuma das atividades iniciadas. Não me esforçava! Era um corpo sem força. Nasci, adulto, no meio de barracos, remendando casas, orfão. Era filho do mundo. As pessoas não me enxergavam. Nenhum pertence -jamais. Só estes pés no chão e esta roupa, antiquada, doada.

Ouvi meu nome várias vezes, mas como era possível entender?”... Paudro... Paudro... Paudro...” Uma voz ecoada tão arrastada, como deveria ser a da morte. Tão nitidamente com a chuva escorrendo dos meus ouvidos e desabando, como? Meu corpo pesado era uma multidão enfurecida para minhas pernas fortes, acostumadas a inclinações e declives absurdos. Mais forte era o chamado sombrio do dobrar da esquina. Caminhei de joelhos até ela. Ao chegar e enxergar o cruzamento, subia uma neblina do chão, mas conseguia ver claramente incontáveis costas. Meus olhos ficaram quentes e contrastavam quentura no rosto, em sincronia com o arrepiar da pele e de todos os pêlos molhados.

Só então comecei a tremer. Era tanto tremor que eu parecia secar em meio a tempestade inclemente. Queria correr. Não gostava de encontrar ninguém! A estas horas desgostava intensamente. Por isso saía do buraco da ponte -onde me escondia- apenas à noite. Mas, o meu maior temor nao era este encontro, era eu me sentir parte daquele acúmulo. Do quê? Pessoas? Não me pareciam ter vida...! “Venha!” O chamado -agora entendia- vinha direto a minha cabeça!

No primeiro passo, daquelas incontáveis costas, preenchendo todo o espaço visível, estava em pé. Caminhava convicto atrás daquela procissão –que me esperava. Pareço ter fugido ao nascer, mas nunca vivi de fato.

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Lugar partido

(esta foto tirei em busca de deficientes visuais - photocomedy)

por Rafael Belo

Coração partido. Acontece muito. Aí misturam-se raiva, revolta, tristeza e dor. Mas, o engano é achar um partido coração apenas nas relações de Amor, amizade e paixões pelas pessoas. Lugares também partem nosso motor essencial. Aqueles aonde mais vamos, às vezes, mais do que a própria casa. Também podem te dar às costas -as portas (fechadas).

Não me apontou o dedo, não quis saber dos meus problmas – quem gostaria?, não quis conversar de forma alguma, mal mostrou interesse. Eu nunca havia me considerado um cliente até então, mas não imaginava ser maltratado de tal forma – tão bem. Imaginava (claro) de outra forma. Tanto era, bastava olhar atrás das lentes, meus olhos denunciavam ao lacrimejarem – era uma rejeição – dizendo não ao “tudo” em resposta a cretina pergunta: “tudo bem?!”

Não era contradição, mas não queria demonstrar decepção. Nao chorei! Passei a raiva e depois a rvolta com tristeza e dor – decidi não voltar – por enquanto. É óbvio o instante, passado, de ter terminado a “conversa” com selvageria e sangue, mas foi um instante rápido. Fiz meus dois treinos. Conversei com “todos”, falei da minha ausência - mas só pelo resto do mês. Ainda fiquei enrolando, conversando mais, até fecharem o lugar -partido.

Vinha bufando pelas ruas escuras e vazias passadas da onze da noite de uma terça-feira, me sentino lobo mau dos três porquinhos e o seu lobo da chapéuzinho. Por´m não derrubei nada nm devorei ninguém – estava só. Qual era o problema?Acertaria dois meses em um. Nunca deixei de estar em dia durante quase dois anos. Tudo “se” venceria no outro dia...

Já sentia falta das pessoas, de cada uma das cinco artes e da musculação. Talvez por elas volte. Por enquanto vou procurar outros professores recomendados com um dojo apropriado – como se houvesse por aqui- ou os mesmos professores, mestres e senseis em outro lugar. Mas, “aquele” lugar partiu meu coração.

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Sempre a nascer


(Memorial JK ao fundo, foto difícil de conseguir tirar programar)

Você estica a mão
para encostar no passado
Toca aquela face em preto e branco
Passando privadamente para você uma paixão passada
queima tua alma,
te inspira fundo
deita a cabeça para o céu

uma garoa quente deságua e conecta
ligado ao jamais fechado mesmo passado

houve um espaço e passos de despedida
foram feitos pedaços
e duas partidas

mas, o coração
já vinha partido
nasceu despedaçado.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 16h28, 13 de julho de 2009.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

De uma gota


(depois das gotas desfocadas, todas as gotas ao fundo -tirei no quintal da casa dos meus pais)

Aquecido olhar borbulhante
A me bater hesitante, antes de o encontrar
Atravessando a ponte ela está
Com um bom dolorido sentimento
Subindo doce pela boca salivada,
saboroso coração

apertado, invadido, conformado
em ser a ressaca do mar em lua cheia

toma o corpo para si ao se dilatar pupila
vê a ponte se desfazer, acelerada
e o olhado vem lento
desenvolvendo aquele momento
movendo os traços da realidade
para um desenho do universo

cada cor captada na fotografia do terno instante eterno
tórrido intenso no sorriso daquelas mãos trocadas
tocadas no enlace entrelaçado
do calor
palavra por palavra
a ser abraçada pela imensa gota da emoção.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 01h29, 13 de julho de 2009.

Segunda-feira, Julho 27, 2009

(Pacato) Cidadão

(foto do last show The Doors, tirei esta do Brett o vocalista substituto, mas bom)

por Rafael Belo

Veio a letra com a melodia enquanto assistia Mandela, beirando a madrugada. A cantava muito, mas nunca analisei a letra. É uma ironia aos supostos cidadãos que somos. “Pacato Cidadão”. Ô Pacato Cidadão!,é o Pacato da civilização, Pacato Cidadão!, é o Pacato da civilização...” Agora me lembrei do He-Man, mas deixa pra outro texto.

“Pra que tanta TV, Tanto tempo pra perder, Qualquer coisa que se queira, Saber querer. Oh! Pacato Cidadão!, Eu te chamei a atenção, Não foi à toa, não, C'est fini la utopia,Mas a guerra todo dia, Dia a dia, não...” Creio ter feito a conexão com Mandela pela guerra diária que enfretava e todo dia há uma guerra dentro e fora de nós. Faz sentindo estar nele e lutar nela. Porque o princípio básico –nascer livre- não cai do céu (ou cai?).

Tirar vidas não é uma opção, acaba por ser uma escolha e assim nasce uma guerra –ou continua. Ficar em casa, ir diariamente ao trabalho, depois fazer os sociais não é o bastante. Me incomoda. Quero lutar pela minha liberdade, ter minha própria utopia. Não sou guerrilheiro, não quero portar armas -não as usuais. Fico muito incomodado ao pensar ser um pacato cidadão. Então, vem a velha história –estória?- de direitos. Certo. Vamos exigir.... E os deveres? O Quê fazemos? “Eu” tenho o dever de tornar as “coisas” melhores. A outra velha história de cuidar do próprio jardim –ao menos ao meu redor- e lá vem as borboletas. Agir? Não, obrigado! Apenas “crescer, multiplicar, envelhecer e morrer” como uma árvore... Ah, não! Árvores “limpam” nosso ar.

“Pra que tanta sujeira, Nas ruas e nos rios, Qualquer coisa que se suje, Tem que limpar, Se você não gosta dele, Diga logo a verdade, Sem perder a cabeça, Sem perder a amizade...” Mandela ficou quase três décadas preso pela liberdade do seu povo. Mohandas Gandhi, mais conhecido com Mahatma (do sânscrito “a grande alma”) Gandhi espalhou os protestos de não-agressão como um meio de revolução, pedindo ao mundo o mesmo com a paz, sem tocar em armas. Há ainda os biblícos como Moisés vagando quatro décadas pelo deserto, tirando o povo da escravidão do Egito e Jesus, pela PALAVRA, libertou nossa alma e a morte dos nossos medos.

“Consertar o rádio, E o casamento é, Corre a felicidade, No asfalto cinzento, Se abolir a escravidão,Do caboclo brasileiro, Numa mão educação,Na outra dinheiro...” Estávamos muito bem no ventre presos, aquecidos e nos soltaram para a vida: choramos. Depois saimos do ventre dos pais, e “hemos de sair”, outro parto. Mas, sempre procuramos um ventre pacato para nos aquecer e esconder. Ah, pacato cidadão “não foi a toa não...”

Domingo, Julho 26, 2009

Hipotermia

(o vidro e a grade pla janela chuvosa do carro, assim tirei)

De repente estou frio feito lá fora
Minhas roupas não me aquecem
Nú igual a noite vermelha inverno índio
Um gelo norte, tremendo febre
Minha terra roxa imitada pela pele minha

Não sinto meu coração, pareço um ser de pedra
Duro e concreto e sem vida
Uma lacuna a durar breve
Durante o congelar do sangue entregue
Não circula calor, em greve, em mim

Esta dor descubro dos meus pés acimentados
De dentes destilados, batidos
Sem qualquer significado remóido no banquinho
Sentado, sozinho, dentro da casa que venta
Um terço do mu tamanho encolhido, aguenta frio

Mas, estou cavando um buraco no sofá.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 00h05, 13 de julho de 2009.

Sábado, Julho 25, 2009

Quisera eu, quimera

(meu bairro de cima, terei do alto da torre de sinos)

Os planos de hoje acabaram, quando acordei e era tarde
Tomara-me uma praia nos olhos de um mar menstruado
Meus lábios e voz cansada Orfeu, eu, Morfeu
Na quimera de projeções
Cantando na afinação da harpa,
me mutando no domínio imaginário do despertar

preto ou branco de mil heróis afluentes, rugindo raça
face ilusória de traço fixos, coberta da lua aquecida sol,
na propriedade das estrelas

ondas oníricas acariciando a pele, para arrepiar a vida
no fundo respirar acometido do abismo da profundidade

Quisera eu, quimera
Ter paternidade nos partos influentes, por gerações de sonhadores

Gero a ti
Minha utopia pirofágica, para poder sonhar

Voar, no não lugar

Em (com) postura com os pés nas descomposturas
dos “achados” lugar.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h08, de 11 de julho de 2009.

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Sobre as 24 horas

(torre os sinos, tirei do alto de Ribeirão Preto)
Por Rafael Belo

Todo dia começa a meia-noite. Isto se um dia tiver 24 horas – assim acredito e me ensinaram. Mas, para alguns começa a meia-noite e um. Fato, então, é o término do dia à meia-noite...! Minto! O fato é faltar um minuto todos os dias. Porém, se o dia começa como acreditava a pouca linhas, ele termina às 23h59... Não é um trava língua -ou neurônios- é a constatação de todos os dias nos roubarem um minuto, ou seja, se é dito: 24 horas é igual a 1 dia, não temos um dia sequer! Temos “exatas” 23h59. Quanto tempo perdido...!

Somos controlados por estes ditos marcadores. Há muito tempo -olha aí- eu usava relógios. Tinha vários. As pessoas sempre pediam informações sobre horários. Só para saberem o quanto estavam atrasadas, o quanto iam demorar, o quanto estavam adiantadas, o quanto ainda tinham pela frente, o quanto... Bem, Já até me roubaram um. Lembro bem. Estava eu -não brinca!?- e mais dois amigos (lá pelos meus 12 anos) dois de um lado da rua e um do outro. Quando atravessávamos, de encontro ao terceiro integrante, um sujeito grande de jeans e tênis rasgados, sem camiseta e boné veio na minha direção. Eu desviava, ele era minha sombra (o sol estava às costas). Com dois toques soltou meu relógio do pulso e saiu em disparada. Um verdadeiro “profissa” exceto, por depois de longe e ainda correndo, ter gritado: “Valeu baixinho”. “Baixinho”, repeti indignado. Fiquei com raiva. Foi o motivo da minha fúria. Não terem roubado o meu tempo. Isto só descobri agora. Alguns ano depois parei de usar relógio. Agora tenho o péssimo hábito de ficar consultando os celulares -puro tédio, falta do quê fazer mesmo.

Nosso fiel controlador, às vezes a despertar, nos rouba todo dia -a não existir mais- um minuto. Em dois anos e quatro meses perdemos um dia. Todos os dias acabamos pedindo sem pensar “só um minuto, já vou, pode esperar um minuto”. Em um minuto acontece tanta coisa – acreditem. Quem espera um ladrão? Nós!? Assim os dias não existem. O tempo nos rouba um minuto “por dia”, então por que se preocupar com o tempo se ele é um trapaceiro? É justamente por isso a preocupação. Não vou deixar o tempo passar sem passar com ele. Ele já leva muito. Não vou perder tempo(?).

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Sem face


(foto de um passarinho procurado que tirei durante um campeonato brasileiro de ciclismo)

Reascendeu o Renascimento sem perceber pura morte no cheiro
Odor agridoce de dura dor incompatível ao sofrimento
Estendido no fim de semana prolongado
Extensão a apatia dos famigerados

Aromas gerados de alguma decomposição sob a bandeira verde amarela
Sobre a nossa flâmula, o incêndio da pátria

Deitado nas labaredas distantes
há sorrisos acomodados,
ouviram o crepitar intolerante das brasas
nas cinzas malas de couro do povo
o vento leva a inglória

São vilanias da pequenez representada

almas doadas para corpos sem brios
vazios vermes das promessas da maçã desejada
uma mordida, e a mandíbula intoxicada

Fênix promíscua, cheia de caras.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 12h30, de 11 de julho de 2009.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Espelhos

(Tirei esta no FMS em Porto Alegre, passeata)Por Rafael Belo

Vi meu reflexo me imitando e decidi: “Não gosto de espelhos”. Eles refletem nossa luz e pretensa visão da nossa imagem. Julgam-nos por nós mesmos e nos fazem um paradoxo – desde o afogamento de Narciso. “Tudo bem” a transparência dos vidros se concentrando na sombra da nossa imagem, mas um espelho não. Fica a mostrar uma referência e nosso psicológico -pouco ou muito- intimidado pelos padrões de beleza. É uma piada do tempo. “Hoje estou bem”, “Humm, hoje não”... Vamos quebrar os espelhos e esperar apela sinceridade alheia. “Estou bem assim?”-algum tempo depois- “Ah, sim! Claro. Ficou.” Melhor não esperar nada. Creio termos perdido minutos da vida diante do acreditar sermos nós mesmos. Lembro do “O olho do Mal”, com a Jéssica Alba. Ela cobre todos os espelhos da casa ao voltar a enxergar e ver além – o além. Em uma parte ela: diz quem esta (se referindo a própria foto e o espelho mostra uma moça morta no começo do filme).

Os espelhos nos ajudam a sermos fúteis e a nos enganar para o bem e para o mal – como se fosse a definição (in) exata de mocinho e vilões. Ou nos eleva demais a autoestima ou a destrói – com meios termos. Espelhos levam nossa respiração e deixam parecer o muito não ser o bastante em nenhuma hipótese - nossa! Às vezes só prendem (nossa respiração). Jogam de nossa auto pseudoimagem para nós: “QUERER NÃO É SONHAR”.

Acertam ao nos mostrar tão “matérias”. Somo matéria... Atrás de tudo isso minha liberdade está lá presa, entre “meus olhos”, de reflexo. Quero partir estes espelhos, mas não tornarei estilhaços minha liberdade. Quero voltar a respirar... Quero culpar nossa geração da imagem e “ver para crer”, “tudo a ver”, “a gente se vê por aqui”. Mas, sei bem – sabemos bem – É... O problema não são os espelhos...!

Sábado, Julho 18, 2009

D‘água

(Esta foto tirei em Isla Maragarita no PAraguai, flamboiã)

Choveu por anos. Fomos migrando para as montanhas morrendo. Sabendo de única coisa: amigo é sempre bom. Não adianta procurar amigos, pois a procura é sempre longe, um amigo está sempre ao lado, não importa se distante. Sem família de sangue, só a escolhida – como se houvesse escolha no meio da tragédia. Este era nosso carregamento exato. Tragédia. As sobras das bagagens. Ninguém ousava chorar após infindáveis lágrimas do céu sem nuvens. Parecíamos desolados sem poder planejar nada, a não ser sobreviver. Mais! Éramos precisamente deslocados.

Não podíamos nos deitar. Só havia poças e onde não havia poças não estava seco ainda. Éramos 50 pessoas consideradas fortes. Infelizmente, não contávamos os mais velhos ou as crianças abaixo dos sete anos. Dez homens apenas. De todos dois eram imunes a “acquafobia”. Palavra denominada ao absurdo medo da água. Em um planeta água como a temer? Precisos 48 a temiam. Era consequência da mesma ter levado a vida da ex-Terra. Trauma. Um deserto líquido baumaniano (referência ao sociólogo Zigman Bauman) era a única paisagem. Afetos, amores, leis, família, religião, justiça eram pura fluidez como a modernidade.

Nenhuma metáfora mais. Beber da água era beber dos nossos e cada um daqueles planos ambiciosos. Não! Ninguém acreditava nisto! Uma noite só havia o silêncio em corpos empilhados, teimando planejar sobreviver, mas os planos era outros. Nunca mais havia dormido e toda noite observava os corpos vazios, me pareciam sem vida até acordarem junto ao sol insinuante e agressivamente sorridente. Neste dia sabia do meu sono, ele se aproximava conforme aparecia terra em volta.

Foram surgindo todas as frutas esquecidas. Olhei para os lados e um por um se afogava em terra. Sem som, sem luta, se entregaram. O naufrágio da terra “se acabava”. E agora? Decidi subir em uma árvore e escolhi negar a fruta oferecida. Assim as águas avançaram mais uma vez sobre nós e nos levaram. Bem, fiquei eu a ver minha família desaparecer, varrida. Uma mulher isolada. Penso em doar uma costela. Estou pronta para ceder uma costela. Não vim do barro, vim da água. Sou fluída e não modelada. Sou corrente pronta para libertar uma nova humanidade.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Só na lembrança

(Tirei no lugar mais incrível para apreciar o pô-do-sol: Rio Paraguai)

Alguém me vê mais quatro horas do dia anterior
É preciso voltar ao ontem
Este lugar perdido
Encontrado só na lembrança

Não importa sua atual inexistência ao toque
O amanhã também inexiste
A partir de agora

É certo quando se sente
O passado presente
Nem tudo vai embora

Nada chega em outra hora
Mais quatro horas pra memória

Torta trajetória de esquivas
Diagonais pra frente

Oh, locomotiva intransigente
Há tantos passageiros para descer da mente em um dia

Todavia, tinham tirado os trilhos
Acabaram-se o vagões

Folha de Outono (Rafael Belo) 11h44, 11 de julho de 2009.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Necessidades


(tirei há três anos na Páscoa, voltando pra casa)

Lá se foi o tempo
Engolindo as horas
Faminto feito mendigo
Ignorado por qualquer esmola de vida
Esvaiu-se no corpo com o estômago dolorido

E os olhos sedentos
Secos como todo este abandono de energia na madrugada
Depois do descanso despido, está passado
O amassado domina drástico, os detalhes
Ainda prendendo a noite no noturno
Mesmo com céu indefinido nestas horas vagas

Há ao atrito da insônia
Incomodando a casa

Atento sonâmbulo a intermediar
O preâmbulo perambular astuto
Escorrendo o descanso matuto
Para o não descansar
Acelerado adulto
Precisando sonhar

Folha de Outono (Rafael Belo) 11h22, 11 de julho de 2009.

Terça-feira, Julho 14, 2009

Imaginação



(tirei esta entre o fórum social mundial, em Porto Alegre)

Por Rafael Belo

“Fora”, “Não...”, “Eu odeio...” são os protestos nas redes virtuais. E aos ventos lá fora, pois lá não gritamos. Este fora do ambiente cibernético me lembra o ocorrido agora a pouco. Estava na calçada e logo atrás uma senhora no volante d um carro prata, classe média, sedã, não sei a marca, pois, a senhora de rugas marcas de “expressões” e um vestido bem – bem mesmo – estampado incrementado pelas jóias nos pescoços dedos e pulsos me chamou - não sei porquê - mais atenção. Não pela descrição dos artefatos artifícios tão discretos ou pela idade não comentada, mas pelo movimento da cabeça da senhora.

É bom escrever: Ela lembrou minha falecida vózinha materna (aliás, de “inha” não tinha nada além do tamanho). Tinha certeza sobre o balançar firme e lento da esquerda para a direita repetidamente, ser por minha causa. Afinal, estava abaixado com as mãos sobre o assoalho do carro e depois levantei bruscamente direto para o encontro do olhar negativo dela.

Procurava um pedaço da minha caneta. Depois de me esticar para pegá-la, travei o carro, levantei e bati a porta, para o olhar pesado citado. Estava lá à esquerda imediatamente me julgando e toda a negação da senhora me parou. Comecei a pensar compulsivamente sobre a imaginação dela e, agora, me dei conta das possibilidades furtivas e furtadas, a passar pela cabecinha da senhorinha: “Furando o pneu homenzinho. Feio, muito feio.” ou “Tentando fazer ligação direta. Que pouca vergonha!”.

Depois, sem dar seta para esquerda, saiu com o carro sem parar de balançar a cabeça. A senhorinha -juíza e júri- me lembra exatamente nossos protestos atuais contra “os mais um” ou “sempre os mesmos” da política. Balançando a cabeça em desaprovação, vemos um pouco do acontecido e partimos para criarmos comunidade, indignados com nossos eleitos. Eles agradecem e cultuam a deusa internet.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Névoa negra


(tirei esta na frente da facul, no antigo fim de tarde pós rádio)

negação nivela nervos
aliterários
navega em olhos irritados
ao naufrágio assombrado
saber aceitar

algo templário – de contemplar
na mudança de tempo

inexpressível de entendimento,
mas em expressão secular

banido das multidões para as massas
há o modelar tsunâmico dos mares

um avesso oceânico
de nossas gotas nas ondas

as ondas passam

nosso equilíbrio nas cristas
nos torna surfistas,
mas também foragidos

filhos adotivos das sombras nas cavernas
amontoadas em eras de alegorias

feitas d nossas feições temerárias
de ensaios da alegria

empresária da vastidão
nas muambas de “a(´)goras”

02h54 Folha de Outono (Rafael Belo) 10 de julho de 2009.

Domingo, Julho 12, 2009

Margens


(tirei esta nas margens do Rio Paraguai em Porto Murtinho/MS)

Silêncios e sons são toda esta explorada visão
Da nossa inexplorada melodia
Canção cantada no nosso notório silêncio
Perante protestos da sala sonora
Povoada de falas para não pararem os sons

Caos e bonança fazem feita a circunstância
De tantas desigualdades desiguais de tons
Para alguns ouvidos, arpões da pesca
- predatória dos raros “pensatos” a boiar
“Sões” para alimentar os silêncios

Chegam às orelhas a dor da pauta, “dolor” da pausa
Desfazendo o bolor dos surdos ouvintes
Propenso ao suicídio do fungo dos neurônios
Já pelas telhas da mente, ateia fogo no fundo
Ao vazar do propano tenso
Na ardência interna, há uma nova terra à vista
Onde floreia a ausência alternada em presença
Sustenta um ritmo íntimo margeado de sons
E sãos silêncios

02h32 Folha de Outono (Rafael Belo) 10 de julho de 2009.

Sábado, Julho 11, 2009

Sobre o amor (injustamente) platônico


(uma das minhas primeiras fotos com o experimento da lâmpada apagada e a máquina digital - primeira)

- Você fez eu me apaixonar, declarou ela.
- Desculpe não era minha intenção, defendeu ele.
- Só fui eu mesmo, continuou ele. Posso deixar de ser..., arriscou.
- Não!, se apressou ela. Tudo bem. Gosto assim, ponderou.
- Mas..., ele tentou argumentar.

Ela olhou intensa para ele, por breves minutos de silêncio - parando qualquer frase ou pensamento para depois concluir alegre: “Vamos ficar com nossas intenções e fingimentos”. Sorriram e seguiram o momento.

(Rafael Belo)

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Ponte d’água

(Tirei esta foto em Isla Margerita no Paraguai de dentro de uma igreja barroca)

Clareou a noite ao emitir o chamado do escritor
Seu lado escuro levou o sono
Deixou toda a insônia desperta
Com palavras e versos enredados nos dedos apontados
Para o coração do leitor a pensar
Ser a própria luz solar

A noite madrugou devagar
Absorvendo as horas idas como se não fossem
Eram, um refúgio de silêncio e palavras nascidas

Refletidas no futuro raiar longe
A contracenar com o sono, em afastamento
Nada de sons, por um longo momento

Os pensamentos calaram o monte
Com montes de sentimentos no trono
Clareou o escritor, e ele, era dia

12h37 Folha de Outono (Rafael Belo) 06 de julho de 2009.

A Espera

Por Rafael Belo

Não deveria ser cena típica, mas os relatos são. Alguém sendo assaltado do outro lado da rua por vários ninguéns desarmados - ainda a espancarem covardemente a vítima -, e os espectadores, acumulados, ficam fascinados e não se movem para nada. Testemunhas com celulares nas mãos para filmar, fotografar, não para - ao menos - chamar a polícia. Sem falar da gratuidade surtada das pessoas. De repente você vê um alvoroço e certamente é briga. Todos querem saber o acontecido e quase sempre é totalmente banal. “Uma mente desequilibrada quis entender “tudo errado” e começou a esmurrar e chutar homens e mulheres”.

Eu agradeço por não ter presenciado nada disso ainda. Não conseguiria ficar de testemunha de uma atrocidade. Não adianta dizerem: “Não tem nada a ver com a gente”, “Não podemos nos envolver”... Eu pergunto como não? Tem a ver sim estávamos lá, o alvoroço mudou tudo e como estamos vendo estamos envolvidos. Isto me lembra dois filmes. “O Encontro” e “ Violência Gratuita”. Este último uma refilmagem fiel do mesmo título de 98, aliás, é uma tradução desnecessária de Funny Games.

A excelente atuação de Naomi Watts, Tim Roth, Brady Corbet, Devon Gearhart e Michael Pitt mostra um quê de esquizofrenia e de psicótico nos “vilões” criando um jogo divertido – sem diversão nenhuma - onde no final todos deveriam morrer. Já “O Encontro” vai mais com nossas caras de testemunhas. Uma amaldiçoada por Deus, Christina Ricci, é obrigada a ser testemunha de todas as tragédias da humanidade, simplesmente porque ficou assistindo fascinada a Crucificação sem reagir. Vem-me a cabeça nosso às vezes, assim, passamos o ano todo frios para esquentar no Carnaval. Olhamos o bloco passar, não porque há um amor exaltado por lá, mas por que ele está em todo pedaço de qualquer lugar e parece haver alegria naquele momento passante... Depois é um ano de espera.

Domingo, Julho 05, 2009

Latidos do planalto

(foto que tirei na virada captando as luzes e a dinâmica apenas para destacar a música e o movimento sem photoshop)

Por Rafael Belo

“Eu nunca fiz isso antes, eu nunca fiz isso antes”. Sempre vem repetido. Quem já não ouviu ou disse... Não importa se sirva apenas como afirmação para uma autocrença. Nós gostamos do óbvio e de jogos lúdicos, mas nem sempre os entendemos, pois faltam neles o gosto primo: o óbvio. Assim ele fica lá pela infância e mineiramente nos afastamos dele no decorrer da vida. Paulistanamente ficamos só com a ilusão e paulistamente persistimos no óbvio ao repetir o antes nunca feito por nós.

Mesmo mineiramente (comendo quietos mesmos), paulistanamente (mais egoístas e solitários) e paulistamente (teimosos) - definições de dicionários que apreendi em alguma revista – somos ávidos por suicídios, mas só os anestésicos, esses “levadores” de neurônios e vergonha. Vai lá se reunir com os amigos e só mais uma ou o clássico mando no meu nariz (e o resto do corpo é quem paga) depois libera as esquizofrenias. Falando em línguas... Aqueles bilíngües ou “pseudobilíngues” soltam o idioma chumbado e arrastado em inglês, espanhol e invocam a terceira pessoa para se referirem a si, além de tudo ser engraçado ou dramático a ponto de chorar. Tempos de baladas. Não sei o porquê os políticos começaram a pipocar na minha mente...

Nada a ver com a palavra ridículo ou a fatídica república das bananas saltitantes em textos por aí, mas eles são como nossos cãeszinhos mal acostumados. E quem deixou os pequenos cães peludos tomarem conta da nossa casa da mãe Joana?! Os meus, os seus e os nossos bichinhos de estimação que me desculpem por tamanha ofensa comparativa (logo eu averso a comparações), contudo é bem óbvio o osso roído jamais largado na boca deles. Quando você deixa um cachorrinho entrar, deitar na sua cama e comer sua comida não há quem o convença dele não ser o dono da casa. Há um instinto deliberativo do disfarce descarado no qual eles passam por nós e fingem, com certeza, terem sido invisíveis ao passar. Ainda assim nós os xingamos e tentamos impedir a passagem. No final desistimos, dividimos nossa casa com eles e na inversão dos papéis eles tomam conta da gente. Espero não sair latindo por aí e passar raiva no planalto porque nunca tomei anti-rábica!

Afinação do tempo

(foto da primeira vez frente a uma rotativa e lá se vão os anos)

Aquele vento não sopraria de novo para bandear com as folhas
Ele correu o mundo único soprando outras únicas folhas
Uma turnê particular soprando em melodias locais
Por quem o vento tocar e levar
Para quem se lembrar ser também das bandas do vento

Passando por brisas e bandalheiras aos grunhidos e agudos
Absurdos sopros acumulam poeiras ou as retiram
E vento soprado primeiro não é o mesmo na segunda vez

Quando aquele vento volta vindouro
Varre as primeiras vezes consecutivas
E os ventos furtivos do planalto furtam nosso ar

Na terceira leva do vento voltado
Ainda há unicidade pérolas e diamantes
Basta contar até três e soprar para o vento sumir
E todas as outras infindáveis vezes de (re) volta
Ele acumulará bandas sopradas e tocará igual, mas mais afinado

23h42 Folha de Outono (Rafael Belo) 04 de julho de 2009.

Sem tragédia, só bagagem

(quando penso em Isolda lembro desta minha foto no fim da tarde ao sair da rádio de dentro da facul então vai a minha homenagem a ti)

Há alguém do outro lado sofrendo as minhas mesmas experiências
Porém absorve seus arredores em pormenores próprios
De miudezas engrossadas de destrezas insólitas

Lenda Isolda dos mitos celtas
De reluzente armadura feita pele
Ainda perdidamente na poção de amor
Reporta a vida crítica, mas não há de morrer de tristeza

Vê a beleza da vida na felicidade contida na metade de todas as coisas
Há magia naquele mágico olhar a ser também escrita
Esta escriba da rotina feita para reflexos e reflexão

Não procura razão em tudo, mas porque não questionar o nada
Diria esta força articulada gesticulada em amplitudes
Ah, suas atitudes dão corpo a uma argumentada opinião

Um tanto de Tristão habita nesta Isolda, dama solta
A cavalgar qualquer visão.

20h24 (Rafael Belo) Folha de Outono, 04 de julho de 2009.

Sábado, Julho 04, 2009

Apontar dos ponteiros

(foto que tirei aos arredores de CG)

Há o bater do coração acelerado de todas as horas
Incomodado nestes ponteiros se movendo em círculos
Guardado no alto pelas memórias
Silenciado pelo bater covarde da bela torre de sinos
Todos sincronizados nos ouvidos alterados pelos uivos de redemoinhos

Alta estação da sucessão de esquecimentos comprimidos
Umedecidos na boca pela língua nos lábios
Engolidos secos aos gestos contrários
Até o covarde bater do coração haver
Há o silêncio acelerado do bater alto da antiga torre dos sinos

São dezoito horas na fronteira misturada entre luz e escuro
No círculo seguro de onde o tempo vem e vai
Fica
Uma ou outra batida entre os bateres do peito e da duração
Momentos parados postos diante dos contínuos
Haveres secretos
Abertos para revelação

18h - 02 de julho de 2009 – Rafael Belo (Folha de Outono)

Há você

(foto que tirei da janela de um apê que morei)

Saiam sons indiscriminadamente daquele corpo exposto na noite apagada
Onde ninguém enxergava a água
Caída de outros corpos também de ninguém
Criando um rio parado do outro lado do fardo
De se deixar levar

Pela correnteza de pensamentos
Levados pelos sentimentos
A desaguar
Em um distante lugar
Tão perto
Chamado lembrança

No deserto de lágrimas
Caladas invisíveis
Saído de um rosto impávido
De falso brilho
Há você
Um ser de lembranças

17h30 – 02 de julho de 2009 – Rafael Belo (Folha de Outono)

Terça-feira, Junho 30, 2009

“Apenas o que devemos ser?”

(foto que tirei enquanto olhava para o céu deitado no banco traseiro do carro)

Por Rafael Belo

Na maioria sub nas outras sobre... Somos assim inconstantes. Quem somos? Ora, humanos... Não é? Deveríamos ser pelo menos... Não há e nem pode haver um medidor de humanidade pelo simples fato da nossa individualidade. O famoso desumano para um certamente é banal para outro. Não quero desviar do assunto, já se tratando de algo do tipo “não imaginei acontecer comigo”. Sabem aqueles fatos da vida envolvendo amigos os levando a se tornarem mais próximos, então este é o assunto.

Parece coisa de cinema para “evitar” lugares comuns, algo do roteiro de “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, sem a morte (na verdade não ocorrida depois) e sem a sequência de mortes e perseguições. Mas, um quase pacto silencioso me levou ao filme. Nada grave ou criminoso apenas uma comoção de preocupações envolvendo cinco pessoas. Não vou detalhar a situação, mas o sentimento nascido dela. Quatro pessoas extremamente cuidadoras da quinta.

Foi um desmaio súbito, vindouro de um sequência combinatória não aconselhável a ninguém, perdido nas reações dos demais presentes. Porém, naquele momento surgia algo mais na amizade deles. Uma fortaleza de resquícios da muralha da china totalmente sem pretensão. Despretensiosa de tal forma a parecer algo comum. Nesses momentos não há o dito ou o não dito, há uma ligação interminável, incorruptível. Palavras muitas vezes duvidosas no nosso vocabulário diário.

É recente, mas posso afirmar ser minha concepção de amizade ainda de pouco retorno para mim. Compreensão, aceitação, apoio, opinião, procura... Estava presente em todos. Não pensei em subumanos ou sobre-humanos apenas em humanos. Somos inconstantes e codificados. Como somos humanos e como podemos ser quando a situação exige, mas não deixo de me perguntar se não é tão humano quanto não querer participar do problema alheio ou de quem aparentemente nos é querido?

Domingo, Junho 07, 2009

Colecionador de fantasmas

(Rafael Belo - foto pela estrada)

Prevaleceu o silêncio diante do caos de sons naquela tarde. Foi o motivo das mudanças. Porém, foi tudo repentino até o sentimento de... Traição (?), de queda de heróis (?)... Quando o nosso mundinho pessoal é estremecido a razão se distancia, mas - se a tivermos de fato – ela volta logo do passeio solitário por aí. Jogando um pouco de luz em tanto subentendido, confiar dói e dói mais quando você acredita em alguém acreditando sempre em você... Mas – sempre ele o “mas”- não é assim o funcionamento da mente humana. Olhando com atenção as relações não é difícil perceber as “’meias’ confianças”, os “meios sorrisos”, as “’meias’ pessoas” escondidas ali atrás das palavras faladas a dedo, resumindo o medo de se expor e se machucar.

As pessoas queridas e amadas bastam em presença em muitos momentos assim. Falar, esbravejar e gritar com as (más) intenções são opções viáveis também ou simplesmente ouvir sua voz incontrolável cheia de porquês, soltar palavras doloridas pela dor causada ao simplesmente confiar. Se arrastar fora deste corpo dono da sua voz. Ver a alma presa a um monte de carne possuída ao verbalizar as dores do mundo. Depois vestir um olhar triste de melancolia vazia ao ruir dos valores. Um traje típico fácil de colocar e se acomodar nele. Fácil também vestir preto e ver na imagem de quem confiava um luto vivo corroendo. Foram dois ou três suicídios onde velei corpos inexistentes, sozinho. Depois dividi meus “mortos”. Colecionador de fantasmas, mas para lembranças e avisos, não amarguras.

Vejo assim o motivo da falta de durabilidade de pessoas e coisas. Quando é com a gente, ficamos arredios por um tempo e pairamos no limbo de nos tornarmos metade ou mais um ator no mundo dos egos. Se, e apenas se, tivermos condições – além da capacidade inata – de medirmos a autodestruição a depois nos tornar póstumos em vida, não passaremos para o outro lado do limbo e nem permaneceremos neste além do necessário luto. Por isto respiro fundo, lamento e dou o próximo passo paciente. Esquecer? É uma homeopatia desnecessária se soubermos realmente o significado de pontos de vista. Autenticidade deveria ser a mistura essencial do homem, porém, é o item de série embutido mais vendido da “máquina humana”. Triste. É fácil ficar triste, por isso prefiro permanece alegre.

Entrega

O indireto doeu além da bebida alta
Fez a curva do bafômetro e levou as sobras contigo
Junto com pedaços da esperança perdida
Foi quando o céu fechou e a luz foi impedida de entrar
Aturdida enquanto o mundo era breu e gelo

Embriagadas das verdades caladas no copo vazio
As pessoas caíram, já não estavam mais entre as escuridões
Onde as ilusões não eram noite sem brilho, já eram elas
Amarelas levadas para a descoloração

Brilha o fundo da garrafa no momento da confiança devassa
Devastar os bloqueios do corpo vago a pintar
Um agora neutro concedido ao próprio inimigo, no espelho
Envergonhado o suficiente, não o bastante... Para mais se envergonhar
Estender a mãos para o escuro, adiantar o relógio e esperar...

Tirei essa também no Rio Paraguai/15h32(Rafael Belo)Folha de Outono 07 de junho 2009.

Tempos frios

Rafael Belo (- foto de um dia atolado na estrada)

Há tempos não assistia televisão que não fosse para me entreter com filmes, séries e artifícios culturais – que não se restringem a arte. Da mesma forma não lia jornais, apenas passava os olhos e direcionava toda minha atenção a colunas e artigos. Nada contra matérias jornalísticas, afinal sou jornalista também, mas a forma robótica e atemporal que são escritas me fazem perder o interesse. Sinto-me assim um desinformado funcional, sabe, como um analfabeta funcional. Sei o motivo de saber isso, mas qual a origem?

Enfim, nem todas as matérias são enfadonhas, porém o caso aqui é o medo passado nos noticiários e tantas mortes anunciadas e factuais. Em menos de dois minutos contabilizei mais de 50 mortes, dezenas de enchentes no Norte, Nordeste, aviões caindo – inclusive o de hoje, parricídio, homicídios dos próprios filhos, pandemias, violência atrás de violência... Porque havia tantas doações e interessados e amenizar as dores catarinenses e não há um só pelso nordestinos?! Então vem a ignorância a achar único culpado ou perguntar de Deus?! O livre-arbítrio e todas nossas escolhas têm sim consequências e a culpa é toda nossa.

Por que a ganância e a arrogância se hospedam indefinidamente em nós? É fácil ficar triste, difícil é permanecer alegre... Porque queremos buscar coisas desnecessárias para nós e acabamos alguma propaganda ambulante na antiga poesia de Drummond (Eu, Etiqueta). Valemos o quê? Parece que a sobrevivência a qualquer custo. Há tanta confusão, tanto barulho por nada que não ouvimos nem a nossa voz nem A que nos guia.
Quem se elege sozinho?! Ninguém... Afastamo-nos da responsabilidade e de nós mesmos e estamos lá no limbo como um bando de invisíveis, sabendo que alguém nos escuta, mas não nos veem... Recentemente um ex-chefe, já passados dos idos dos 50 anos foi espancado, porque não tinha dinheiro, por três pessoas desarmadas e a platéia do outro lado da rua de dezenas de pessoas nada fez...! Nem chamou a polícia! Aí eu me pergunto quais são as almas perdidas?!

Creio que por todo o escrito e não escrito é que não venho me informando de desinformação. Não consigo me conformar nos seres diminutos e egoístas que nos permitimos virar ao virar as costas aos valores morais, éticos e nos afundarmos em Prozac e suas derivações além da velocidade dos carros e da embriaguez reverenciada. Deveríamos saber em que investir nossa fé e auxílio... Para não reclamarmos das consequências em que atuamos quando os tempos ficarem mais frios... Que tal analisarmos a nós mesmo primeiro e nos assistir por um tempo? Vamos voltar a ser irmãos!

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Destroços


------------------------------- (por Rafael Belo - tirei esta foto há alguns anos no Rio Paraguai)

Foram joelhos no chão, mãos espalmadas uma na outra. Primeiro a cabeça pendia para trás e olhava suplicante para o céu, depois os olhos fechavam-se e o queixo encostava-se ao peito e as lágrimas escorrendo de qualquer forma. Era tudo a ser feito. Nenhuma palavra diria um consolo adequado ou suficiente. Como acreditar na morte de tantos conhecidos sem poder velá-los, sem vê-los... Estão em algum lugar, não se desintegram simplesmente. Não podem ter sofrido tanta dor!
Um abraço me envolve sorrateira e suavemente. Me abraça com um beijo salgado de lágrimas e pressiona-me com muita força. Ela ajeita a cabeça em me ombro esquerdo, depois me olha até a última lágrima de meus olhos e afunda a cabeça como se estivesse apenas sobre meu coração. Nos conhecemos quando nos perdemos há um ano. Estávamos em trilhas praticando esportes radicais quando uma tempestade inusitada inundou a região.
Fomos arrastados por milhares de quilômetros, eu nem pronunciava o nome de Deus e ao invés de me enfurecer com tudo, estava calmo e certo de continuar vivo... O trauma matou muitos, instantaneamente e já não havia quase ninguém sobre as águas. Aquilo tudo parecia um cemitério aquático. Perdi os sentidos ao bater a cabeça com uma árvore arrancada pela fúria da chuva e do vento.
Despertei muito zonzo e ela estava ali ficando roxa. Me arrastei até ela, pressionei sua boca do estomago e então comecei a fazer respiração boca a boca. Passados poucos segundos ela se inclinou e vomitou muita água, me olhou - como agora a pouco – depois desfaleceu nos meus braços. Fomos tidos como mortos, mas éramos os únicos sobreviventes – como agora. Ninguém fala nomes, nem o ocorrido com a carreata de dezenas de vans.
Mas... É assim. É como dizer: “nenhum sobrevivente, nenhuma morte... mas morreram todos...!”. Percorri todo o caminho deles, das vans, de bicicleta. Havia marcas de pneus por toda a pista, mas nenhum vestígio de batidas. Parece ser necessária uma imagem, uma explicação, creio ser o motivo de eu ajoelhar e rezar, é o meu resto e ela? Ela é minha força, minha ligação com a vida, e também rezo por isto.

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Meu inverno vem

É frio o ar sobre meu verão
Vêm os caminhos da solidão
Deixando-me gélido e trêmulo

Os olhos fechados mesmo abertos de outrora
Já não marcam tão certos a esperança
Já não alcançaram os sonhos adiados

As certezas até então tão certas
Já causam dúvidas e vazio alto
Nos sintomas de um caminho tomado

Todos os dons cresceram e querem viver mais
Congela minha respiração e o sorriso se fecha
Inconstantes estações esquizofrênicas da pressão

Quando viver meu dom e satisfação?
Quando me libertar da angústia da rotina?
Quando me desnudar pro meu inverno, não irei mais perguntar...

13h12 (Folha de Outono) 03de junho de 2009.

Sábado, Maio 16, 2009

Folha de Outono

Nas costas não era o significado tatuado
Era uma imagem qualquer de erro crasso
Da manhã acontecendo de um zero total
Da tarde nublada ao redor do sol
Da noite enluarada de escuridão
Dizendo-me calma
Mostrando-me minha alma desenhada

Não era apenas uma imagem tatuada
Era acreditar em mim e acordar
Eram traços sem medo do meu caminho

Nas costas eu me carregava de dentro pra fora
Fogo e voo me misturavam ao equilíbrio
Enquanto doía um próximo sorriso
Minha força me mostrava forte
Minha solidão me interagia coletivo
Todo eu era partes de vocês

12h37 (Rafael Belo) Folha de Outono, 16 de maio de 2009.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Som do vibrar(Foto by Rafa Belo - é o Robby Krieger)

Vibram os mais mortos dos corpos
Ouvem os ouvidos mais surdos
E não há mais idades no brilho dos olhos
A alma é atemporal o coração musical
E o corpo uma mera ilusão
Cantando uma canção antiga
Sorrindo para os calos da vida
A deixar de existir então

Vibram os mais frios dos graus negativos
Sentem as peles mais insensíveis
E não há nada a atrapalhar a música

Cantam os impossíveis no ritmo dos invisíveis
E o povo na efêmera massificação
Trazendo o novo para o que não foi
A estrelar a estrela de todas as noites de reflexão

10h53 (Rafael Belo) 23.04.09

Quarta-feira, Abril 15, 2009

“O feriado” novo

por Rafael Belo

Minha mente às vezes está em tantas partes e com tantos Cosmos gritantes, que só posso sorrir. Nestes dias é como se eu estivesse contendo novos mundos em contrações para nascer de imediato – ou renascer posto a Páscoa. Estou inquieto prestes a acontecer. Me coço me impaciento, olho para todos os lados atento e às vezes sem olhar ouço, vejo, escuto, sinto... É o parto mental nietzschiano, mas terei anestesia ou terei me acostumado com qualquer dor? Claro, só porque pareço não a sentir... Pareço aumentar novos sentidos e as coisas do mundo falam comigo. De alguma forma tudo ficou lento e eu estou na velocidade máxima, sozinho. Ansioso por me acompanhar e me vendo afastar. Novos braços, novas pernas, novos olhos, novas bocas, novos ouvidos tudo em sinestesia, tudo tão claro. Minha mente não me deixa parar. Crio mundos em silêncio e controlo o que penso para calar ao dizer de outras formas, livre. Mas, nem sempre tenho controle sobre meus mundos. Que mundo tem controle, afinal? Nem os que são controlados.

Então, vejo repetir “o feriado” nos sites, na tevê, nos jornais, nos rostos das pessoas e nas igrejas. Não tem o mesmo significado, mas tem. Desenho. Ainda é ressurreição daquele terceiro dia quando o corpo se reunificou com o espírito, ainda é o êxito do êxodo dos israelitas quando fugiram de Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Esta é a Pessach do hebraico. A passagem. Passamos... Mas, um fim de semana prolongado. O quê ficou? O quê foi esta Páscoa? Como as coisas deixam de ter sentido com o tempo e como deixamos isso acontecer. Mas não controlamos nada mesmo por muito tempo, o tempo todo então... Ouvi na rádio pessoas que desconheciam o significado do feriado, mas é de praxe que não seja o único e o mesmo “despadrão” prosseguiu na maioria dos canais zapeados da quinta-feira à noite.

Foi “o feriado” novo. Nele vi de uma forma diferente a Páscoa que simplesmente passou. E na segunda-feira parece que nada aconteceu e os mesmos comportamentos da dita hipocrisia e sobraram alguns “magros” chocolates. A passagem da Páscoa... Sendo religioso ou não, é história e de história sempre há de ficar algo. Passou rápido demais, mais um dia de folga... Não... Não consigo ver assim. Vi meu terceiro dia, comi chocolate – muito – mas me senti passando da vida para morte, da morte para a vida em um ciclo de liberdade. Nada fatídico, nada fenomenal, uma experiência pessoal com a transcendência das idéias e o calor da família. Nada passa se você viveu de verdade o passado - ou passa?

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Esvaziar

Há tanto na cabeça conectada
Aos plugues do som sinfônico
Com a melodia das sinapses em expansão
Como um Cosmos infinito de Big Bangs mentais
Nos pensamentos atômicos transcendentais a explodir o silêncio
Feito um atentado da negação de criar no instante

A parecer raiva, a energia locomotora de inspiração
Inquieta dentro da alma chocando forte um coração de pensamentos
Enquanto muitos nãos retêm a arte para amanhã
Música letras, ataque defesa se unem para ontem e nascem depois

Há tanto na cabeça explosiva enviada
Para todos os sentidos aguçados famintos e sedentos demais
Apurando o redor como uma caça pela vida
Fechando os olhos e arrepiando a mente
Cheia de sentido, repleta de ilusão

11h13 – Rafael Belo – 13.04.09

Quinta-feira, Abril 09, 2009

Espera

Há chamas nesta neblina úmida
Incendiando-me de cegueira

Há instintos, moral, dinheiro e o dever
De vê-los, sei o que fazer, mas o que farei?
Vago na neblina, em chamas

Minha voz, sem som e estou vago
Não vejo quem me vê, cegueira coletiva

Deixei-me lá, crepitando
No meio de todos, sou pensamento
Luz, vácuo, escuridão com pressa

E o tempo não esperou, ficou cinza
E não olhou para trás

14h45 (Rafael Belo) 27.03.09

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Colarinhos brancos da vida

por Rafael Belo

Cela no senado? Onde mais, não é?! A maior lógica de todos os tempos. Um prêmio para ela. Claro que vai ser mero enfeite, porque sonegadores, fraudadores, “caixadoresdois” e demais eternos reeleitos e colarinhos brancos vão e vêm das prisões como um ensaio da prisão ou apenas da simbologia de ser preso. A explicação é que a estrutura serviria para abrigar quem cometesse delitos na casa. Uau! Perfeito. Está realmente no local mais adequado. O eufemismo da prisão senatoria é sala de custódia?! Aonde fica a sala de justiça?! Alguém chame a liga de super-heróis... Por isso o Brasil vem com piada pronta como diz Zé Simão. Otaviano Costa pensa como eu, para que perder tempo com a construção? É só espalhar barras pelas janelas e portas, assim só sairia o “presidiário” com bom comportamento aprovado. Os pequenos colares brancos dos burguesinhos empáfios têm sempre um final feliz seja lá o que for felicidade para eles – ou para nós.

Outros crimes de lesa-pátria cada um deles tem ou terá o seu. No senado são cerca de mil ocorrências por ano, porém, nem todas levam o infrator à sala de custódia que cabem três pessoas. E se houver superlotação. Temos que lembrar que são 300 senadores? E a mágica da ilusão, bem redundante mesmo, de cortar só 50 diretorias das 190 ou seriam mesmo as 181 no senado como “corrigiram”. Depois disseram extinguir mais 50 e o que fazem todos os diretores lá sem diretoria... Ficariam 81 diretorias ou 90? Bem, então finalmente disseram que são só 38 diretorias... Engolível o número, mas, não a informação, todo o resto são títulos disseram, chega de títulos então... Diretores que se dirigiam, o sofisma como disse Noblat, parece belíssimo. Somos trouxas certo? Diriam que já é um começo a aceitação... Pensem, diretores de: “Check in”, “garagem” e “autógrafos em atas” são os menos chamativos.

Ninguém foi afastado ainda ou deixou de ganhar a gratificação, são diretores gratificados de nada. Foram os publicitários que inventaram essas diretorias? Ou foi um concurso de criatividade? Enquanto suspensa para análise da necessidade da construção... Alguém tem alguma dúvida da necessidade...? Mas, ainda sou a favor de transformar o senado em uma prisão, pois, francamente, três pessoas em uma cela é um bom mito grego. O Senado da Roma antiga e antes da Grécia antiga elegia imperadores e 81 senadores, três por cada Estado. O nosso “elege” um monte de leis que ficam circulando lá por anos - e por que não décadas?! -e não chegam a ser sequer analisadas ou a público. Tenho a “leve” impressão que estamos presos a um passado recorrente sem sequer tentar algo novo não tentado naquelas épocas. Será uma cela nossa democracia em uma sela sobre nós?

Afinal, somos só nós os presidiários? Diria pode ser, mas, “pode ser” são dois verbinhos sem vergonhas... Ah... Suposições me irritam. Não, não me irritam. Mas, não acredito no “poder ser”. “Pode ser” que já estejamos todos gagás a ver o senado lá da Grécia antiga ser um covil como era, aliás, senado tem origem etimológica da mesma palavra: senil... É do latim senex que é igual a velho. Nada contra os idosos também quero chegar lá, mas de sabedoria estes “nossos do senado” só tem o bolso. Li a seguinte frase em um livro sobre a mentira: George Washington não diria uma mentira, Richard Nixon não diria uma verdade e Ronald Reagan não saberia a diferença entre elas. Falando em Washington este discutia com Thomas Jefferson, certa vez, sobre o senado e Jefferson interrogou o motivo de Washington ter derramado, propositadamente, um pouco de café no pires. A resposta foi que o processo auxiliava a resfriar mais rápido o conteúdo da xícara tornando-o degustável, ouvindo o que queria Jefferson disse ser o senado o pires para resfriar os ímpetos revolucionários populares e gerar o equilíbrio necessário para a vitória de um regime político democrático. Idos da criação da Constituição Norte-Americana. Nós, ao Sul, ainda nos encontramos nos achados e perdidos...

Terça-feira, Abril 07, 2009

Cópias


O balir de bailar a música hipnótica em ótica
De não entender o que enxerga
Vai nas superfícies, escondidas
em profundidades, confusas
sem saber o som saído, ao balir

Entre lobos e cordeiros, há troca de peles
Os cordeiros, em matilha, fingem uivar da lua
Os lobos, ao balir de seus rebanhos, simulam pastar, sem fugas
E quando o luar vem cheio, os dedos mudam
Não há origens, nem originais
Há cópias de seres, humanos
Apontado, para o outro

14h30 (Rafael Belo) 27.03.09

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Menos

Ninguém se virou, enquanto a destruição seguia
Lenta e sistemática entre mentes da orgia democrática
Sem vestígios da democracia bradada, atrás de palavras

Entre povo e poder, há quem manda
Sob uivo de cordeiros covardes
Os círculos se formam e terminam no mesmo lugar
Mas, não foi bom caminhar?!

Sobre carnes artificiais da gula, só há sangue
E palavras mastigadas, de indigestão
Balem os lobos, verborragias
Do momento passado, do momento seguinte,
onde não somos mais, nem mesmos

14h15 (Rafael Belo) 27.03.09

Sexta-feira, Abril 03, 2009


Criança cruel e seus brinquedos

Por Rafael Belo

Senti-me adulto quando a infância tentou me derrubar. Era apenas mais um dia de sobrevivência na selva urbana nos devorando sem sabermos ao certo. Mas, uma súbita clarividência me afetava dias antes de me defender perante o tribunal de ninguém e colocar as palavras e as imagens nos devidos lugares. Fui absolvido. Mais que isso, a selva se tornou mais interessante como se eu fosse um mosquito vegetariano em toda parte.

Sugava imagens e sons sem zunir ou não estava ali para quem me visse. Silencioso e calado. Quase uma abelha com silenciador, já que estamos nos insetos e tive uma vontade incontrolável de polinizar. Como no Bee Movie a morte das abelhas significa o fim de tudo. A morte sem sentido, por uma decisão sem medir conseqüências a quantidade de afetados, leva a um suicídio coletivo inconsciente. Como se o ar fosse tocável.

A rasteira da infância não mexeu com o meu físico, mas meu psicológico gritava por revanche. Não havia reação, era continuar e melhorar a captação de sons e imagens com uma adaptação de ferroadas que não levassem minha vida. Em uma sociedade da mentira, há um monte de mentiras. Faltam adultos que saibam cair das árvores ou deixar de ser verdes. É uma selva falsa que pensa saber rugir e caçar solitariamente fazendo aliados duvidosos.

Sabia o que aconteceria daí por diante, aliás, a clarividência súbita já me “premonia” disso. Alguma retaliação deveria ser feita, mas era racional demais para permitir transparecer qualquer coisa e analisei palavra por palavra quando a selva me disse do ataque espreitado que tomei no mesmo dia em que era uma ave emplumada repetidora de reações alheias. Foi o derradeiro ultimato. Lembrei de dias antes quando estava vestido de outro.

O tribunal era escasso e só havia eu e o juiz. Um olhava nos olhos que desviavam e outro desviava dos olhos que olhavam. Houve um tremor intenso e insano dentro de quem olhava. Algo mudava no mundo e um envelhecimento centenário se formava nas olheiras. Passaram-se anos naqueles minutos derramados e acelerados em um coração passivo para quem não o via e tão ativo e insuportável de conter para quem enxergava que iria adiante formando novos continentes. O mundo é uma criança cruel e gozadora inconseqüente.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Jovem envelhecer


Envelheceu o tempo renascido, no mundo de ilusão
Não se passava pelo ar, ele nos retia no vazio
Não havia mais espaços disponíveis, para os de fora
Nem um passo a frente nem uma palavra atrás
Era a prisão aérea no solo, sem moral

Em sequência, Sibilava silêncios
Em dúvidas em defesas, atacados
Atados a golpes baixos estremecidos
Entorpecidos de qualquer revolta mal-resolvida
Amortecida pelo impacto não visto, mas assinado

Com tinta invisível simulada, alérgica
Métrica pelas medidas sem volume, anunciada
Pelas vidas nubladas no céu escuro, mormaço
De um leve amasso profundo de antigas crenças, no mundo
A girar para o mesmo ponto humano, parado

(Rafael Belo) 09h58 – 1º de abril

Segunda-feira, Março 30, 2009

Silêncio espancado


por Rafael Belo

Falar e não entender sobre o que fala é a “dádiva” de muitos seres humanos sem intenção ou com toda ela de passar adiante qualquer coisa ou uma coisa qualquer. Prejuízos intencionais ou sem intenção podem vir daquela pessoa que não conhece o silêncio. Fora de contexto, um beijo pode parecer o escarro de Augusto dos Anjos. “Escarra na boca que te beija”. É para dar o sentimento de nojo que a perda de confiança “às vezes” acarreta. Mas, não é bom beber veneno dos outros. Nem o próprio. Só penso ou tento, saber exatamente o que se passa em uma cabecinha oca, ao falar o que não lhe diz respeito. Em outra situação no meio de um clima não amistoso. O erro veio do momento de falar, não de quem ouviu. Brincadeira, mal-entendido, ironia, sarcasmo, não importa! Os lobos estão à espreita vestidos como sempre de cordeiros, mas uivam para a lua certa na fase errada.

É tempo de silêncio (?). Não! Quem sabe dar voltas, as dê. Por cima, pelo lado, em cima... Confrontar o “mal-entendedor” não ajuda sempre. É ínfimo e de uma igualdade inexistente. Seja perspicaz. Levante suas próprias orelhas e guarde seu silêncio. Resolva o “problema”, respire fundo e não seja idiota de cantar a vitória. Transforme em algo produtivo. O prazer humano de espalhar traz um fel ferino que desperta a besta em qualquer um. Direcione corretamente sua ira bestial. Não use intermediários. Passe calma desse seu vulcão tectônico. Procure saber o que aconteceu para desencadear, algo como uma série de demissões por causa de palavras medíocres que você disse. Eu disse! Inocentemente desta vez... Paguei o pato por alguns minutos... Mas, outras vezes outros falaram demais... Agora não digo mais nada. O ambiente pesa sem todos saberem o que ouve. Informação real ou não e o resultado disso parece realmente privilégio. Assim como privacidade. É conto de fadas.

Era uma vez... Então, acabo por pensar na índole das pessoas. Não gosto de parâmetros de comparação e não gosto de comparar, portanto não o farei. Não me cabe julgar as pessoas. Mas, posso ter uma certa ira com relação às atitudes delas e deixar de confiar e interagir totalmente. Neste momento me parece que o silêncio ensina mais que as palavras... Não falaria sobre isso se não estivesse permitindo que me incomodasse, queria falar sobre a sela do senado, ops, cela do senado. Porém, devo dar vazão ao que está mais forte em mim. Na sexta pressenti algo ruim e estava com uma raiva insana. Sabia que por mais inocente, minhas palavras eram culpadas. Boca fechada agora para um bom grito depois. Há camadas de egoísmo provindos de lugares escuros da boca, onde até mal cheiro e aroma refrescante de alguma marca de higiene dental se confundem. Ah, humanos de onde sou afinal? Falar o que pensa às vezes é sinal de silêncio...!

Sexta-feira, Março 27, 2009


Cicatrizes do vento

por Rafael Belo

Na pele, ela tem caminhos com inícios e fins que não levam a parte alguma, diferente das lembranças cicatrizadas pelo vento. Soprado da própria boca com o ar dolorido para continuar. Acácia sabe que o vento há de levá-la no tempo certo, já marcado há tempos. Sabe, porque já esteve acidentada tantas vezes sob tantas formas, que para outros foi mortal. Ficaram dos acidentes, cicatrizes. Uma de cada um. Um vislumbre de uma vida finita, mas longeva.

Sobreviveu em silêncio a explosão de um avião. A aeronave caíra sobre sua casa sem deixar vestígios do que era a casa. Ela dormia de bruços e acordou distante sem se preocupar com qualquer explicação. Não era a primeira vez. Já havia parado de contar quando os números se aproximaram de centenas. Mas, este levou todos da sua família e deixou que a levassem também. Olhou como inconsciente para o vazio em chamas de onde morava. Suas lágrimas correram pelos diversos cortes fundos no corpo e chegavam abundantes ao chão.

Sentiu o vento a levar e lembrou-se da desolação, que ao invés de secar, este novo oceano de tristeza, fartava em uma abundância absurda como se não houvesse terra no planeta, só sal e ondas. O mundo das águas soterrava a sete palmos seu mundo em afogadas dores. Não havia sentido nos pensamentos, apenas um pesar enlutado dilacerando o coração constante a atirando de joelhos ao chão e levando a escuridão a consciência de um desfalecer.

Quando as cicatrizes começaram, a mais vaga lembrança era cair do berço sem ninguém por perto, além das ressonâncias dos pais a dormir em outro quarto. Mas, não podia ser dela esta memória. Como poderia ir tão ao passado? Não! Ela não queria se aceitar diferente, pródiga de algo. Era como todos. O resto é coincidência. Mesmo não conseguindo se enganar desta maneira. Por que sempre sobrevivia sem maiores gravidades?

Após recobrar do fim de tudo que tinha. Ficou ajoelhada por horas. Ainda que doesse mais a alma ao corpo, mas o coração competia por milímetros de vencer. Ela sentiu neste instante, seu negro manto triste de tortura ser despido suavemente. Suas permanentes cicatrizes viraram lembranças do vento, que a afagava e soprava na direção da imensa fogueira de uma vida desperdiçada por incontáveis “ses”, “sou assim mesmo” “o quê vai mudar, afinal?”.

Na própria fogueira de egoísmos, vaidades e julgamentos teve sua Sodorra e Gomorra e sua própria barca. Suas segundas chances eram definitivas desta vez e seus maus pensamentos definitivamente não existiam mais. Navegava em si e acolhia o mundo que via feito uma revelação apocalíptica escrita por dentro da pele em um evangelho de caminhos. Acácia revia seu filme todos os dias, para seguir com o vento adiante e ao menos refrescar o mundo cuidando das suas borboletas.

Quarta-feira, Março 25, 2009


Estava lá

Uma direção direcionada, guiava
Os rumos de alguns passos meus
Mas eu, me impedia de não os seguir
Caminhando contradição, faltando um pedaço
Deixando a perdição diante das opções dos caminhos

Rumores me enchiam a cabeça, eu nada sabia
Queria me libertar, mas voar para onde?
Seria qualquer coisa melhor, que a própria prisão?
Dissabores me tiram os gostos da boca, qual o gosto de gostar de si?
Minha cabeça gira, parodia tantos pensamentos soltos

Sinto o gosto de se gostar, é uma música derretida no paladar
Pensar com os próprios pés, contrariar autoridades, cantarolar
A direção em minhas mãos sem habilitação para guiar, mas quem tem afinal?!
Rebeldes estão aqui, na mente, não querem estar assim por mais tempo
A rebeldia, sempre estava lá, impaciente

14h35 – (Rafael Belo) 25.03.09 - (para Lore)




Rei de mim

Quando as portas abrirem
me leve para dentro
com um movimento
que só eu veja sem olhar

Na natural natureza de rosnares libertos
No verde do concreto a pedir devastar
O trancar alheio das portas de vidro sem lar

Serei o leão morto todos os dias
Disfarçado de mitologias em cinzas
Para no outro dia voltar a rosnar

(Rafael Belo) 11h42 – 25.03.09

Segunda-feira, Março 23, 2009

Dias de chuva...

Por Rafael Belo

Quantas dores há no mundo? Começando de nós mesmos, vejo muitas. A dor da fome, da ignorância, da desilusão... Mas, a mais dolorida é a da perda. É desta dor a se falar. Viva e deixe morrer... Viva e deixe viver... Quando alguém próximo - e muito próximo – morre, não é como acabar um relacionamento, mudar de cidade ou manter um segredo devastador (às vezes é)... Toda aquela rotina onde a pessoa (agora morta) se infiltrara está vazia dela. Perder pessoas é um termo forte demais, não se perde ninguém. As pessoas não nos pertencem, nem nós nos pertencemos. Há algumas semanas, a revista eletrônica dominical daquela rede sinônimo de planeta, mostrou a dor de quem ficou após a calamidade “natural” de Santa Catarina. A alguns deles, vestidos de dor, me pareceu a própria morte mais fácil, a agüentar a morte de um filho, ou de um ente amado. Orfandade de diversas maneiras na televisão.

É triste, de diversas maneiras, assistir sem poder assistir a dor alheia jogada da tela para informar (?) e entreter (?). Infelizmente eu tinha esquecido a proporção das chuvas catarinenses. Não, bem esquecido, mas me desligado do efeito em longo prazo. Casas e famílias afogadas. Os sobreviventes mostrando claramente uma dor aguda na televisão. Qual a necessidade de contar a cicatriz aberta de novo e de novo. Foi bom e foi ruim, digo. Não precisava mostrar tanto a dramaticidade, de um drama tão triste. Os “sobreviventes” poderiam ser poupados de reviver os dias de chuva e os de desolação conseqüentes. Quantas dores custa uma informação? É dor, medo e violência nas cores iluminando da velha caixa, no escuro da sala a receber exclamações indignadas e de cautela das famílias diante da tela. Dias de chuva são preocupação para o país de uma maneira mais dolorosa, agora.

Terminei de ler um livro onde guardião de memórias (título do livro de Kim Edwards) ficou sinônimo de segredo imenso e devastador. Lugar onde uma floresta densa e impenetrável cresce no centro do coração e ninguém entra de fato. O livro prendedor conecta-se diretamente com as dores de Santa Catarina pela dor causada pelo silêncio e o vazio posterior. A dor de um pai, uma mãe, um filho, uma diversidade genética, decisões, desastres naturais onde a culpa envolve todos e aponta caminhos longos e tortuosos caminhados sozinho. Algumas pessoas vestem a dor com um número a menos, pensando ser apropriado o aperto. Deixam a vestimenta apropriada por pouco tempo ser inapropriada por tempo demais e as dores próprias do mundo não são tidas como aprendizado, mas como castigo supérfluo a ensinar apenas quem regeu o castigo. O que sei de dor, afinal?

Segunda-feira, Março 09, 2009

Ficou na curva

Veio a dor
Feito um rio seco
Onde as pedras não se acomodam

Rolam sobre o peito
Sem arredondar as pontas
Rasgando os gritos com ecos

Represa a sequidão do rio
Onde rola a dor em pedras
A empilhando no leito vazio

Rio de pedras
A me atirar primeira
Hipocrisia como a gota d’água

Há um desvio no rio
Rio que continua a doer
Dor que ficou na curva

22h14 (Rafael Belo) 08.03.09

Sexta-feira, Março 06, 2009


Mente paranóica _____
Por Rafael Belo

O mesmo som a noite inteira na festa do pijama com roupas curtas e sorrisos longos. É festa íntima até de repente aos gritos de no chão no chão, a diversão parece acabar. Curiosas, às mulheres tentam olhar pela sacada. Dois objetos não identificados foram arremessados e vistos como granadas. Pânico da dona do apartamento que ao perceber ser o ex-namorado policial desce. Alêgrea ainda tentou descer mais o carro saiu em disparada com o som mais alto do que o ensurdecedor som da festa.

Por precaução todos permaneceram soldados. Rastejando sobre os cotovelos, braços, mãos, joelhos, pernas, pés feitos calangos no deserto escaldande diante da iminência da guerra entre iguais. Já eram ouvidos barulhos de bombas estourando ao redor, seqüências ininterruptas de balas, gritos – bem estes eram reais demais – e um sangue jorrado de uma imaginação paranóica. O medo orquestrava tudo com sua pose petulante de necessário.

Mas, a mente humana não deixa nada sem associação. Alêgrea não sabe disso e cultiva suas conspirações contra si mesma. Assim dias depois da guerra imaginária, Alêgrea estava envolta de uma dessas associações, que não tem sentido algum fora da mente dela. Descendo umas e outras e se divertindo mais uma vez - será um padrão – ela presencia a briga violenta dos vizinhos “por acaso” também no posto. Abastecendo a mente com algumas sandices ela guarda a cena cotidiana na memória.

A rotina de brigas do casal de vizinhos é brutal com gritos já desvendados pelo ouvido de plantão. Certa noite, próxima ao dia do posto, Alêgrea olha atenta pela janela e vê o homem do casal descer do carro. Ele volta pega uma imensa faca quase do tamanho de uma foice ceifadeira, a esconde por toda a extensão do braço e do corpo e segue até o apartamento. A confusão está acelerada. Em Pânico, Alêgrea aciona todos os próximos e espalha a nóia. Em rede no telefone, não quer ficar só.

Com um policial a tiracolo em casa - sem ninguém ver o que ela enxerga – conta toda a história, que nem nós sabemos. Ela é cúmplice da briga do casal e imagina ser uma queima de arquivo. Será assassinada e a vinda do homem com o imenso facão prova tudo. O casal nem sabia da existência dela, mas quando o policial vê o facão e revista à casa do casal a história do homem da janela da frente é confirmada. Eram os preparativos de um churrasco do casal entre o amor e o ódio. Agora todos conhecem Alêgrea.

Quarta-feira, Março 04, 2009

Páginas tremidas


Presente na ausência as ruas vazias preenchem as lacunas
Entre temer e estar só pela vastidão de um beco sem saída
Onde enxergam além dos muros pela visão tremida de não querer sair
Enquanto da janela as sombras acompanham a vida olhando pelos cantos
Dos olhos desconfiados os passos apressados temidos assombram

A si mesmos porque tudo passa onde nada passa enfim, ausente
E a presença da ausência vai parte por parte se tornando lembrança
Nas desertas pessoas que não estão lá nem aqui por tremer estar
No pânico estranho do mundo estranho de paranóia
Com a obsessão de uma perseguição inexistente

Ausente na presença de ninguém, esvaziam corpos de medo
Com copos cheios de alterações bebidos com água e açúcar
Nos cantos onde pessoas encolhidas usam o toque de recolher
“Às custas” da covardia da alegoria da caverna ambulante
Distante da luz mesmo sob o temido sol ardente
Sombreando páginas em branco


09h38 (Rafael Belo) 04 de março 2009.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Temor da vida


por Rafael Belo

Com os olhos vidrados em cada som produzido aos arredores algumas pessoas estão em pânico constante. Já perceberam? Os efeitos às vezes, ou muitas delas, não são de traumas, experiências alheias ou alguma pré-morte. São de ouvir falar, de assistir ou do nada mesmo. É uma angústia constante “viver” assim, imagino. Não dormir para não ser assaltado em casa e ainda assim não ter qualquer arma diferente de uma faquinha cega de pão. Luzes acesas, olhos vidrados, coração disparado e a porta de casa cheia de apetrechos Magaiver do Paraguai que só assustam quem chega tarde em casa. Se houver o assalto, qual a reação? “Parado ou te... Passo manteiga! Não estou brincando! Se afaste ou vou te lambuzar até você não conseguir ficar mais em pé”. Que obsessão absurda... Redundante! Qual não é? Há pessoas que não saem de casa por puro medo de ser abordada... Que horas são, por favor? Ahhhh...

Observo bem as pessoas antes de perguntar e fico pensando se vão me responder me ignorar me esfaquear... Aí sim - ainda pensando tudo - pergunto local de tal rua, as horas quando o celular descarrega. Às vezes obtenho boas informações, sabe, com detalhes e referências, outras as pessoas dão aquela paradinha involuntária já se preparando para correr, falam muito rápido e antes de você agradecer, somem. O medo vive no canto dos olhos. Você ouve passos e aperta os seus, você vê alguém com quem não se familiariza e muda de calçada, o sinal fecha e você olha para todos os lados implorando para abrir logo, você faz de tudo para não ter que andar sozinho e confia em quase ninguém. Que tristeza! Viver com o coração não garganta não ajuda ninguém a respirar e por que pensar que isso é “normal”? Porque é o comportamento padrão da nossa sociedade. Ah, bom! Agora sim!

Na ponta da língua. Ter medo é normal, mas viver com medo... Aliás, esqueça o “normal”. Já não é palavra confiável! Está é a palavra chave, não é?! Confiança! É aquela história de tentar se suicidar e levar o milagre da vida para outras argumentações. Quem quer tirar a própria vida, o faz. Há filmes e livros sobre este ato obsceno e medonho. Mas a “falha” desta tentativa indica o medo de seguir em frente, de estar sozinho, de enfrentar a vida, de pedir e aceitar a necessidade de ajuda, de achar que agüenta o que o caminho seguido lhe proporciona ou proporcionou sem ninguém, então, a palavra solta a alguma linhas volta: Confiança. Coragem não é o antônimo de medo. Antônimo de medo é confiança, porque coragem não é ausência de medo. Confiança sim.se você confia em Algo maior e m sim mesmo, não há porque evitar a vida a temendo. Caso contrário, é hora de aprender a confiar.

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Desculpe, estou eu

Por Rafael Belo

Chove um mar de egoísmo na minha alma. Logo eu, Nélio Basta, que sempre pensei realizar ações altruístas sem beneficio. Estou espalhando um ego egoísta de proporções gritantes. Deixe eu gritar aaaaaaaaaaa. Não olho ninguém sem tédio, sem pensar no que poderia estar fazendo se não estivesse perdendo tempo dando atenção a outra pessoa. Vou passando por cima soltando sarcasmo pelos cantos da boca para não engolir minhas palavras asperamente cruéis.

Estou indigesto como jaca com açaí na soja. Minha mediocridade virótica se espalha e cria pandemia. Ninguém sai ileso da minha presença inútil. Sou nocivo. Sou um veneno de vias aéreas. Não me respiram estou intragável. Não percam tempo me mastigando para morrer de indigestão. Minhas palavras cortam peles de aço e ferem ferinas qualquer ouvido próximo. Quem me vê hoje enxerga tempestades que levam vidas com as casa inteiras. Mas, não sou assim... Pelo menos não era!

Estou letal e era manso. De uma mansidão que águas serenas sem vento jamais tiveram. Fiquei no limite de tudo: da consciência, da paciência, da emoção, da tolerância, do equilíbrio, da sanidade... Caí em um poço de egocentrismo tão denso a deixar Narciso repleto de inveja de mim. Sou uma cabeça vazia agindo por estímulos e instintos rosnando ferozes em constante insaciedade, em uma sede de destruição de dar vergonha aos sem vergonhas.

Mas, DESCULPE, estou eu! Não creio que meu eu manso exista ou de fato tenha existido. Sou egoísta e de fato é minha essência. Passei minha vida recheado de máscaras e, aliás, DEVOLVA MINHAS DESCULPAS. As pessoas não diziam e não dizem o que pensam e eu as poupava das minhas palavras. Não mais! Este é o meu Basta. Sou mal e praticarei quem sou. Se é que ser mal é fazer o que quer e for quem é. Posso dizer que sou.

Não encoste em mim, não me diga o que fazer. Não me olhe por muito tempo e se olhar que seja nos olhos e se for nos olhos sorria. Eu recomendo. Não quero saber de ninguém, quero saber de mim e somente eu me interesso. As pessoas são tão chatas e enfadonhas que devo ser algum anjo caído, um demônio ou um arcanjo empunhando uma espada de fogo. Só que engoli a espada e a lanço pela língua e às vezes pelo punho. Se afaste, se aproximar-se virará um mar de egoísmo feito da minha chuva.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Pegada

Fui pisar já tinha um passo
Evitei pisar no pé
Continuei caminhando encolhido
Fui trombado como ambulante errado
Olhando as pessoas mudas nos carros gesticulando
Invisíveis nas ruas ninguém via ninguém
Não havia um olhar nos olhos também

Pisei em um pé irritado com desculpas
Não havia desculpar no vocabulário
Não havia tudo bem nos lábios cerrados
Nenhuma presença real nos avatares da vida
A não ser os grupos parados observando passantes

Pessoas obstáculos nos caminhos pisados
Pedras atiradas no silêncio briga de ratos
Passos escorregadios sons de macacos
Marcas apagadas antes de serem feitas
Caminhantes do asfalto feito de areia
Pegadas misturadas sem a gente pegar

15h48 (Rafael Belo) 28 de janeiro de 2009.

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

O próximo é egoísta?

Por Rafael Belo

Dias de chuva em Ribeirão Preto. Ainda! Gosto de chuva. Sério mesmo. Caindo serena quase sem molhar. Diariamente. Bom para dormir, ruim para acordar. Enfim... Ontem sai cedo com o guarda-chuva me protegendo. Enorme, daqueles parentes dos guarda-sóis. Andei o dia inteiro sob ele e acabei o esquecendo depois que a chuva deu um intervalo na tarde. Desviei e me preocupei o tempo todo em não acerta meu teto ambulante em nada, em ninguém. Não reparei se o oposto era verdadeiro, mas gostei do malabarismo da antecipação dos próximos passos para posicionamento adequado de passagem. Só hoje na garoa paulista sem o teto esquecido, tive que torcer para não ser degolado. Passos rápidos em corpos encolhidos se aproximavam com as hastes próximas da minha garganta e nem me olhavam. A preocupação era a própria “proteção”. Nada de próximo.

Parece que há bolhas espalhadas nas calçadas ao redor das pessoas esperando um “bom dia” para olharem surpresas com um meio sorriso. Tenho mais de 1,80m, portanto não sou difícil de enxergar e mesmo assim corria riscos me aventurando com guarda-chuvas acusados de tentativa de homicídio. Próximo dos próximos observava a distância generalizada. Procurava fachadas com qualquer cobertura para me molhar menos e me incomodava à falta de senso daqueles tetos ambulantes debaixo de outra proteção. Cadê o espaço? Não há respeito ao próximo do próximo? Até na fila do famoso ônibus do ponto coberto até a porta uma dupla debaixo daquela imensa proteção gotejante rodando e mexendo na altura dos meus olhos. Derreteremos todos se pensarmos próximos, não iguais... É difícil pensar chove para todos aqui e que podemos pensar em algo... Assim... Além de nós mesmos...?

Há uma pregação tamanha do egoísmo e não falo só da presença dos guarda-chuvas invasivos. Com sol há aquela disputa por espaço na calçada. Imagine, ou melhor, lembre. Você está indo por um caminho estreito e do outro lado há alguém vindo em sua direção. De repente ambos aceleram para passar primeiro... Um doce para o felizardo que conseguiu...! É proibido ceder. É contra as regras (não me pergunte quais). É você e você e ninguém mais. Satisfação, carência, satisfação, carência, impulsividades, falta de raciocínio, satisfação carência... Sintomas da grave doença do século: Depressão. Vamos abrindo buracos e de repente (depois de dias, meses, anos...) estamos sem chão, sem nós mesmos, estamos ligados às névoas passageiras de felicidade em comprimidos vendidos sem receitas nas propagandas da vida. O resto que se molhe... (?) Para merecer espaço é necessário ceder lugares!

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

___________________________________Luz acesa 

Por Rafael Belo

Foi dormir e acordou com o coração disparado. Não havia ninguém em casa. A Escuridão mais uma vez tenta afastá-lo da Luz. É com freqüência esta repetição. Uma tentativa de trabalhar em conjunto com o medo. Um pesadelo e tanto o deixou tremendo. De longe, sob a luz da tevê, ele vê os objetos da cozinha rodarem no ar como uma dança macabra. Sons ininteligíveis viam. Ele sabia a direção de tudo aquilo: ele mesmo.

Diogo se afastou muito desta vez. Lá fora ele via a escuridão se aproximar, o pressionar. Mas, também estava no pé do ouvido tagarelando. Ele ouvia como pensamentos e cavava mais a ilha de desilusão e desespero se arruinando na solidão dolorida de talvez não existir. Uma depressão o anulou, o deixou com vontade de suicídio e sua ilha era engolida mais e mais para a escuridão chamada para entrar. Seus olhos tremiam na cozinha. 

Decidiu ir até lá com uma respiração pesada e um medo absurdo como se não tivesse ninguém como se fosse abandonado. No dia anterior ele se sentia manipulado e com maus pensamentos de todo o tipo de morte e destruição. No decorrer de um domingo ele sentiu uma paz imensa que dizia confiar nele.  Sem precisar de mais ele imediatamente sem sequer perceber parou com os maus pensamentos. Descobria ali um a um os motivos da falta de vontade e descaso próprio.

Viu o abandono dos dons e a obsessão por desejos vazios. Mudara com um sentimento. Mas, quando à noite veio ele quase clamou pela volta. O pesadelo durou horas e ninguém presente (pais e sobrinha) ouvia nada, via coisa alguma. A sobrinha arrumava as malas, os pais vidrados na televisão... E toda aquela Escuridão o danando como um caldeirão de cozidos dele mesmo. Acordado olhou para os vazios da casa e voltou a deitar ainda tremendo o pesadelo. 

Havia abandonado suas crenças e seus dons. Ao voltar se deparou com uma barreira. Poderia ter “voltado atrás”, mas não agüentava mais tanta escuridão. Tudo como uma metáfora mais elaborada do que apenas o Bem e o Mal. É o aviso de maldade. Da má influência. De como somos mais carne e obscurecemos o espírito para satisfações e nossas luxúrias. Como podemos ser fracos sendo tão fortes? Nossa Alma é tão maior e ainda fingimos termos outras necessidades... Acenda a Luz!

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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Se Foi

Hoje eu não sou um bom dia

Não levanto não acordo estou no mesmo lugar

Meu corpo treme em agonia depressiva da dor

De uma janela chove cinza do meu corpo ido

Foi lavar a alma na esquina vazia

 

Com o sentimento de abandono espumando

Nos cantos da boca redonda

Mas alguém sorri para minhas lágrimas sedentárias

Uma luz ao meu lado de passagem

Passando para deixar a auto-piedade no ponto

 

Um sopro de palavras na tempestade feita de vida

Lança-me de volta para levantar com um suspiro

De retorno para o hoje que continua por mais que amanhã chegue

Olhares tristes se vão sobem e descem

Param na esquina, e a preenchem.

 

13h53 (Rafael Belo) 26 de janeiro de 2009.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Sem pensar

Por Rafael Belo

Dia chuvoso. Não estava animado para sair debaixo da coberta, soltar o travesseiro. Tudo cinza. Mas, amanhã tenho dentista já faltarei. Segunda-feira é o dia da preguiça e assim o dia que mais faltam ao trabalho. Quem não tem seus momentos de dúvidas? Eu me escondi este fim de semana já que meus planos haviam sido alterados desnecessariamente. Precisava pensar só. Me senti triste. Poucas vezes admito, mas depois de uma sessão rápida de acupuntura praticamente terapêutica, percebi algumas coisas me entristecendo. Minha liberdade estava sendo cerceada pelo meu silêncio. Acomodei minhas palavras, meus anseios, sentimentos e pensamentos em algum canto de mim esquecido. Não percebia minha tristeza. Mesmo pouca... Por quê? Bom eu não admitia que me faltassem “coisas”! Falta meu espaço, meus amigos e falei calado, pela metade. ( Mas, já faz algumas semanas)

Gosto de escrever, cantar, tocar e ler mais do que tudo e pouco tenho feito. Gosto de fazer matérias que façam diferença, de estar com as pessoas e algo se perdeu. Fiquei preso no que tenho que fazer, pagar... Não do meu gostar, do meu sentir, do meu dom... Criamos uma bolha, às vezes. Olho para frente e não para agora. Nunca fiz isso, me entristece avançar assim. O bom é analisar o caminho tomado até. Fiz isso e voltei alegremente a fabrica criativa atemporal da poesia, da música, do violão. Tive raiva e vi a direção dela: a minha. Homer Simpson diz que a culpa é dele e põe em que ele quiser. Também o digo e é justo mea culpa. Procuramos culpados e exemplos todo o tempo. Sempre procurei justamente ao contrário. Todo bom ombro precisa de ombros bons... Dia cinza. Tudo chuvoso. A animação veio, mas passou. É um processo solitário, mas, não precisa ser. 

É difícil admitirmos nossos atos e quando não o é, escondemos até de nós mesmos certas coisas. Nos aprisionamos e confundimos a liberdade. Então as pequenas coisas nos prendem. Eu acredito em Deus! Quando quem não acredita me pergunta: por que você acredita e respondo por que não? Falam de coisas racionais, de ciências... Podemos acreditar no que quisermos e podemos ser livres se esta for nossa opção. Não há perdas neste relacionamento de alto padrão. Neste relacionamento com a alma. Não é um negócio, então não falemos de vantagens... “Engraçado” como sem “perceber” queremos tirá-la (a vantagem) de tudo. Assim vive chovendo muito forte ou fazendo sóis abrasadores individuais. Não quero ficar pensando em querer deixar marcas. Vou ser eu mesmo, mesmo me perdendo em alguma mancha na minha alma apenas para limpá-la e sem pensar deixarei.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Leveza de

Somos feitos de pequenas tristezas
Mas as alegrias não padecem
Enaltecem tanto que acreditamos
Que só rir nos apetece

Até a tristeza vestir o coração
Na balança da alma
E tudo pesa
Mas tristezas não duram
São águas marcadas para um futuro

O que acredito ser deixa de ser um dia
E o vento engrossa a chuva pós garoa benta
Então o coração queima ao se redescobrir
Liberdade não é profissão é Alma
Nada pesa mais que a leveza de ser

13h16 (Rafael Belo) 25.01.09

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Por aonde vamos?

Morreu a morte está na hora de viver os dias eternos
Que nada são perante o enfileirar de ventres
Na psicodelia da psiquê do vidro por onde nos vêem
Vindos do olhar da Presença segura. Por onde vamos?
Seja você silêncio, sons, boca ouvido, respirar tocar olhar,

O Contemplar o insignificante significado maior que tudo
Menor que nada na vida do absoluto inspirar
Nos respirando sem esforço para todo o espaço a preencher
Seja a inspiração de ser autêntico no grão de areia infinito
da tua grandeza enfileirada eternidades ante eternidades

No caminho de fechar os olhos e deixar a confiança guiar
Não morra para o infinito com atalhos malditos da longa caminhada
Altos e baixos são destinos de um meio não visto mais um fim deslumbrado
Vá, há Quem segure tua mão há Quem encha teu coração
Não há morte há tempos. Estamos vivendo para a Eternidade

13h06 (Rafael Belo) 25.01.09

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

S de solidão

Solidões prolongadas não me são mais

São um tristeza de três dias até aparecer alguém

Estar só é o limite de algo e coisa alguma

Esta solitude é o tédio enclausurado na prisão

Voluntária do jejum de fim de semana

Faminto e sedento de ser sozinho de outras maneiras

 

Há solidão nos pontos de encontro esculpidos nas ladeiras

Da alegria brilhando de repente por olhos contentes

Antes se abandonados ao seu desequilíbrio

Ardente da inexistente perfeição racional

 

Na irracional necessidade solitária de estar

Ausente qualquer presença gera o óbvio

Sóbrio de aglomerações prolongadas

Pelas estadias contínuas das monotonias desta vida

Adoecida pela agonização

 

Das entranhas das estradas para o mesmo destino

Falsificado pelas previsões imprevisíveis dos teus planos eternos

Rascunhados em uma ambição alheia afastada dos outros insistentes

Pela sua solidão onipresente

 

(Rafael Belo) 21h05 – 11.01.09

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Por Rafael Belo
Não era como antes e antes foi ontem. Plena manhã ônibus lotado, mas, havia algo diferente. Nada místico, bastava olhar com atenção. Mais pessoas em pé do que sentadas... Ahá... E daí, certo? Errado. Haviam lugares e não eram poucos. Eu estava em pé até a quantidade de bancos livres ultrapassar de pessoas não sentadas. Como “andaria” muito até meu destino sentei. O ar cheira psicologia. Psicologia de ônibus.
Psicologia de ônibus

Benditos sejam os celulares e a consciência. Nem sempre se encontram. Certo... Poucas vezes. Olhando bem pelo ônibus costumam ser companhia para quem está sozinho – e quem não está? – na viagem de um ponto a outro da cidade. Ontem sentei atrás de uma psicóloga de coletivo fazendo terapia de casal com a parte feminina do assunto, bem a mulher para ficar bem claro. Tinha jeito e cara de estudante poderia ser, mas pela altura que falava tratava da amiga.

Muito bem vestida. Um vestido verde grama de noite com alguns belos decotes nas costas e nos seios. Bonita também com belas pernas e um sapato preto aberto com um grande salto. Sentada de lado com o cabelo caído na testa sobre um dos olhos castanhos claros, ela gesticulava e jogava para trás os cabelos a todo instante. “Esqueça o que passou. Passou! Agora que vocês voltaram não adianta ficar jogando o que um fez o que outro fez na cara.”

Bom argumento (?). “Se for assim é melhor nem voltar. Vai acabar de novo! Traição é sério, mas, vocês se gostam e isso tem que ser mais forte. Vocês merecem esta chance que estão se dando.” Traição? Será a psicóloga de coletivo acadêmica? Ela me parece com medo de ficar sozinha – é um complexo feminino? Não os homens também têm – há algo de experiência pessoal nestes conselhos. Hum... Nenhuma aliança... Pode ser... É, é possível sim. Como vou saber?!

Distanciei-me um pouco do divã alheio e penso comigo que a base de um relacionamento – seja ele qual for – é confiança. Mas, o mais importante não é perdão ou seria tudo Amor? “Ele traiu só isso? Uau! Não! Não faça isso. Não diga quantas vezes você o traiu... Bom diga isso. Ele não sabe quase nenhum fica na sua. Se ele souber vocês não vão conseguir voltar...!” Mudaram de assunto. Namoro, promiscuidade... O que eu tenho a ver com isso.

Desliga e tenta ligar para várias pessoas o restante do tempo que permanece no ônibus. Para a amiga havia dito estar perto de casa e já estar descendo, o que aconteceu mais de meia-hora depois. O que eu tenho com isso?!

- Oi!, digo o mais simpático possível. Recebo um sorriso gostoso de volta e desconfiado. Ela se levanta para descer.

- Como está sua agenda amanhã?, Pergunto e ela me dá um outro sorriso com a diferença deste ser interrogativo.

Ela desce. Eu me penduro na janela e falo alto sorridente: - Amanhã na mesma hora e quase no mesmo lugar. Só com a diferença de eu sentar no divã. Foi um prazer! – ela fica parada me olhando como se não tivesse acontecido e o coletivo segue.



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Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Coleta do silêncio

O quê há na cabeça? Dentro destes olhos
Me deixe e esqueça de me deixar entrar
Nos pensamentos provisórios esperando
Para permanecer em abandonar a mente
Subserviente a inquestionável mudança
Outrora azeda no rosto torcido a pensar

Na sua cabeça fica aquele silêncio impossível
Possível na minha questionável mente ausente
De apenas momentos constantes de alguém
Chorando o suportável visto na morte das coisas
Além do visto latente continuado de luta

Com a mente intacta de tatos quentes
Mãos frias apertam os pensamentos
Em cactos áridos por fora do charco
Do quê há na sua cabeça coletiva
Coletando passagens dentro daqueles olhos

13h25 (Rafael Belo) 15.01.08

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

Adoráveis transportes

Por Rafael Belo

Pegar ônibus é invasivo. Para deixar claro é agressivo. Ainda bem que nem todas às vezes. As pessoas olham e olham de novo e repetem o olhar. Pensam algo que com certeza dificilmente é o quê você pensou que elas pensaram. Percebe? Um belo sorriso para ti pode ser de você, um “olá” pode ser um “sai daqui”... Também pode não ser nada disso, pena que tudo é possível, mas as pessoas são previsíveis? Se pegarem ônibus no mesmo horário frequentemente, se portarem da mesma maneira e descerem no mesmo lugar... Talvez! A mim incomoda mundo as rádios no último volume. Sem preconceito, mas, da repetidas vezes que infelizmente vem acontecendo nos ônibus onde estou são mulheres. É divertido por um certo tempo... Por um certo tempo. Mas é uma metralhadora gaga de volume estridente causando tiques de tartaruga. Aqueles que quando parece acontecer algo ruim tentamos colocar a cabeça dentro do peito.

Gargalhadas escandalosas engolidas pelo coletivo de olhos repreensivos à parte, os assuntos que são indigestos. Certo os tempos são outros, mas, ouvir de bebedeiras, de loucuras, transar e beijar geral é triste. Hoje de manhã ainda ouvia dizer que as garotas do BBB têm que beijar todo mundo porque não sabem quando vão sair... Infelizmente o comentário condizia com as histórias pessoais da mesma. Dizendo ter ficado louca estes dias de tanto beber e de outro dia estar tão alcoolizada a ponto de ser arrastada para casa sem saber como e ter ido direto para o trabalho. Uau! Ouvi muitos malas masculinos dizerem tais, mas não sabia que a igualdade feminina também beirava a promiscuidade de nós, “homens”. A contradição vinha acompanhada também. Ouvi de palavras de um “ficante” (de uma única vez) o coração da tal derreter pelas palavras que disse. Está tudo igual, que pena!

Dia anterior à conversa produtiva do ônibus era amantes. Voltava eu para uma noite de treino depois do trabalho e as caras tortas de senhoras e palavras de “meu Deus” dominavam toda a área inaudível do ônibus, porque a imagem e semelhança desta manhã parecia um encontro de minas falando do dia-a-dia. Diziam de maridos que traiam as esposas com elas e dos coroas que as sustentavam babando por elas. Uma tinha (segundo dizia) três: um para pagar água, outro para pagar luz e o terceiro para pagar o telefone. Nossa, grande conquistas destas mulheres. Não estou julgando (sempre dizem isso quando julgam) mas falar tais cosias de boca cheia e para todos invejarem... Então você presta atenção no trânsito pela janela para dispersar e vê (des)motoristas dirigindo sem as mãos, porque afinal precisam comer, falando no celular, não dá para esperar, agarrando a namorada, sem parar é inevitável, e várias repetições da desatenção e egoísmo em trânsito. Adoro ônibus!

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009




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Muros de vento
As areias cobrem o meu desamparo nas sobras da minha terra, do meu espaço desconhecido. Um pedaço de terra chamado meu sem ninguém além de eu reconhecer. Vago por elas inóspito e elas sem água. Sou sombra deste sol retaliador arrebatando minhas costas com o calor infernal cercado de deserto. Me arrebenta a boca seca rachada de desidratação dolorida. Sou pó deste chão de areia escaldante me engolindo. Sou ninguém.

Venho daqui. Deste pedaço de nada que é tudo pra mim. Sem ele me sinto perdido como estou. Como se não existisse sem um lugar para me orgulhar e chamar meu. Mesmo que vivam me dizendo que meu lar está no meu coração, não sinto assim. Sinto meu coração vazio. Vazio diferente deste vazio desta terra de areia. Meu sangue foi derramado aqui e das minhas gerações passadas é uma herança que dizem ser de todos, mas todos não se sentem como eu.

Estou em cima do meu castelo de areia e começa a ventar muito. É uma tempestade. Às vezes acho que só uma grande guerra me devolverá este pedaço de chão e outras não agüento ver tantas mortes intermináveis. Não desejo dinheiro, carros, luxos... Só o meu lugar e não deixo de me perguntar por que aqui? Mas me contento silenciosamente com o que Deus me deu mesmo que tenha que conquistar, mesmo que tenha que pegar em armas. Quero um futuro para os meus.

Por que me perguntam se sei quais são palavras só minhas e de Deus? Não me torturem com o inexplicável. Não me justifico através Dele nem por meio de nada. Como um ser humano pode viver sem um lugar. Quero minhas raízes de volta. Sem elas não sou livre para ir e vir. Não tenho de onde sair. Não tenho direito de julgar e de matar... E se tivesse não conseguiria conviver comigo mesmo pela feitura de tais coisas além de minhas mãos.

Irmãos brigam entre si desde o ventre. Caim e Abel revelados na briga bíblica. Esaú e Jacó não só bíblico como também machadiano. Pedro e Paulo do livro de Machado de Assis se batem ainda na barriga da mãe. Somos bem e mal só temos escolhas e caminhos. Porém algo ainda me diz que todos estes infindáveis caminhos levam ao mesmo destino a diferença está na absorção das experiências e dos erros praticados. Minha terra está no fim desta trilha de tempestades desérticas, mesmo que as areias cubram o meu desamparo nas sobras da minha terra.

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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Forjar libertos

Pele morta sobre viva pele
Descama o câncer do humor
no tumor da alma maculada
Atrás do sorriso da fome canibal
Rosnando o animal escondido a pastar
Um deus de barro e metal feito falsa fortaleza

Diante dos espelhos invisíveis afastando aos gritos, próximos
Aos olhos impossíveis foscos lógicos mergulhando em abismos sórdidos
Sobre atalhos inexistentes imprecisos espelhados sobre nada
Na visão criada ao queimar ao sol

Enquanto uiva à lua prateando um Universo
Versado em ser o mesmo para todos os meros
Despertos a inclinar a cabeça para o brilho noturno
Libertos das prisões forjadas nas nossas fraquezas cordeiras em lobos cercando

11h34 - 08 de janeiro de 2009.
(Foto que tirei no mosteiro em RIbeirão)

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Pastores da presença

Mais uma guerra! Não sabemos de nada mesmo. É a mesma guerra. Depois de atentados de palestinos bombas por morarem em uma faixa (não justifico)- ou seria ao contrário? -, isso foi agora ou em outra época? , Israel resolveu (?) guerrear de novo (dizem estar no seu direito). Tirar vidas é o direito de alguém? Decidir quem vive e quem morre? Não temos este direito, não! Não há jornalistas estrangeiros. São de Tel Aviv e Jerusalém que os jornalistas correspondentes fazem as “matérias” por meio de imagens da Al Jazira e jornalistas locais é que sabemos da guerra. Não há uma solução milenar que satisfaça as partes. Estados Unidos como sempre ao lado dos mais fortes e dos próprios interesses. Palestinos querem seu Estado, Israel... Não quer que tenham... Na antiguidade Roma interferia aonde bem quisesse (certo, nem tanto) hoje são os estadunidenses no poder que darão 30 bilhões ao Estado de Israel. Como se Israel precisasse desta ajuda com um dos maiores poderios bélicos e ainda em investimento do mundo.

Corpos transportados em pilhas, bombeiros lavando o chão de sangue. Terra de conflitos milenares por espaço, liberdade e opinião, terra fértil em sangue. Banhos de sangue pelo domínio da religião. Não é Deus a favor da guerra? Não. São os homens a favor da guerra? Alguns. Guerra é política é hierarquia, não igualdade. É de cima pra baixo e bombas. E vidas estilhaçadas ao fim precoce. O obvio é que violência gera violência. Não é uma questão de escolha de lados. Trinta quilômetros de uma faixa nada inocente atacando e sendo atacada em proporções extremas e maiores. Desde que a morte foi banalizada poucas imagens chocam. Agora é matar ou morrer. Agora? Quantas mortes valem uma vida? O estopim vem do início dos tempos e não pára de queimar. Estamos tão afastados assim que nem gritos adiantam mais? Precisamos usar palavras armadas no começo indo armas brancas passando por balas perfuradoras até chegarmos a tanques e mísseis... Nossas necessidades não são nossas!

Lembrem Thomas Hobbes: "Homo homini lupus", o homem é o lobo do homem; "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos. É o medo e os sentimentos mesquinhos preservados e prosperados habitando onde não devia: No coração das pessoas. Uma paixão pelo poder que não permite sermos libertos. Desconfiança, solidão e ansiedade assolam o mundo de dentro das pessoas para fora. A paz vem de nós é frase feita de efeito, porém, verdadeira. Temos aquilo que buscamos e nossas guerras diárias não são de sangue alheio, é nosso próprio sangue suado nos mantendo melhores a cada dia que acreditamos. Não é mais uma guerra que vivemos e vemos, é uma continuação daqueles obstáculos que nos crescem nos tornando nossos próprios pastores afugentando lobos apenas com nossa presença.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

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Secas brasas

Espreitado segundo a segundo. Observado. Algo mal queria me tocar. Aquelas formigas instantâneas apareciam. Eram formigas inusitadas que surgiam sorrateiramente de lugar nenhum. Estavam em mim e eu me perguntava de onde vinham sem resposta. Às vezes caminhavam em meu corpo e certa me despertaram e não estavam lá. Picaram meu corpo em diversas partes e me marcaram por tempos. Depois sumiram de mim, mas ainda rondavam a casa.

Depois meus transportes particulares e coletivos sumiram. Não sonhava mais. Tudo escurecia quando descansava o corpo e eu estava brilhando no meu escuro. Então, veio este momento. As formigas ainda apareceram de repente e não há buracos ou qualquer fresta para elas entrarem e saírem. O que chamamos de lagartas de fogo – aquelas peludas que queimam – começaram a aparecer, mas uma voz de fé e confiança não permitia minha hesitação nem queimaduras. Elas começaram a virar aranhas vermelhas. Tarântulas que nunca havia visto.

Eram sangue calamitoso manchado de revolta de prisão. Não chegavam a mim. Mas arrepiavam minha alma como se a própria Escuridão das pessoas quisesse me tomar e me induzir a ela. Me beber me derrubar me separar... Batalha longa onde mãos me seguravam. Corpo fraco espírito renovado em força não necessária de compreensão. O brilho em mim reluziu brilhos desconhecidos até o Sol incendiar meu coração em ardências de fé.

Como brasas meus olhos enfumaçaram uma pureza neblinante para o redor. Devia a partir de, fortalecer minhas relações e convicções. Ouvir, sentir, pensar, tocar e falar... Não havia planos vindos de mim, mas eles existiam. Eles elaboravam as brasas pisadas pelo caminho, as pausas surgidas, os passos passados. Havia a espreita e sempre haverá tentando enfraquecer quem sou, que me fizestes. Estarão rondando, mas estou sondado a soldas de estrelas.

Sou tu, tu me és! E tantas patas querendo nos alcançar mostra a fraqueza da carne que queremos devorar como canibais. Como tribos isoladas batalhando para ter o melhor do guerreiro de outra tribo. Pata nos convencionar a sermos e termos troféus de ostentação vazia e inglória. Somos observados e tentados a sermos irracionais e apenas passionais por demais. Minha árvore seca alastrou o incêndio do meu coração e é hora de descer.


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Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Um segundo a mais

Acordei pensando no invisível. Como ele é veloz! Quando a gente pensa vê-lo, ele não está e quando pensamos estar, não o vemos. Estes são os meus dias. Como o invisível é veloz, me cerca por toda parte. Está à minha frente, atrás de mim e me passa desapercebido. Quando estou despercebido ele me percebe, me segue e pesa no estômago! Me diz para dormir! Só porque estou sem horas? Me pesa a cabeça e é janeiro. É 2009! Tudo bem... Logo volto a descansar direito e sonhar com as construções invisíveis. Com este preenchimento achado inodoro, incolor, inaudível, insípido, impalpável fora ele ser invisível... Ele é este vácuo me dizendo algo incompreensível que de alguma forma sexta-feira entendo. Mas não pretendo ser veloz o tempo todo, nem todo o tempo. Deixe meus olhos abertos do avesso!

Não vêem o invisível por aí! Pare um pouco porque eu não paro de vê-lo! Ele me desenha nas dunas do deserto quando me atento a praia contraditória tocando o céu nas mutações descolores do fim de tarde. Assim descanso e me canso com a cabeça nas dunas. Outro ano começou. Este sem promessas. Estive, estou com minha família, mesmo nos momentos sozinhos. Depois da virada familiar e da partida para a balada do século, dormindo pela manhã vi este deserto sendo praia de um mar contínuo de céu e meus pés – após breve vôo – pousaram no meio de tudo com as ondas me movimentando. Não as pulei só ouvi as águas, as areias, o vento e o canto do pôr-do-sol enquadrando as imagens natureza em um infinito som do céu. Veio os cheiros de mundo felicitando uns aos outros pelo ano virado.

Me sinto diferente já neste começo. Não sei o quê falta e o quê sobra, sei que não quero saber ainda. Não é o momento. Digo porque sinto isso, seja lá o que isso for... São sensações ainda codificadas, conhecimentos ainda soltos, frases ainda inacabadas. É assim: o ano começou, mas o ano ainda não acabou. Mas, passada a família foi o primeiro ano virado em rock and roll gostoso, puro, clássico e rebelde com causa. Foi querido e alcançado, foi simples e é feliz. Todos cantando as músicas... Nossa que sensação! Me senti mais músico, mais compositor, mais “cantor”, mais violão e cordas. Quando voltei para a família toquei por horas e ria e ria. Era dia 1º de janeiro de 2009. Como o invisível é veloz! E no último dia do último ano passado ganhamos um segundo... Um segundo para cultivar amigos, para aprendermos, para errarmos, para cantarmos, para valorizarmos a família colher pessoas, para respirar, para pensar, para mudar de direção, para sermos, para irmos um segundo além e depois ir.

(foto que tirei na Torre dos sinos)

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Duna (foto kami)

 Sopro-me no vazio avistado frente aos olhos

Preenchendo meus vazios desérticos de beleza

Como namoros das palavras incrédulas que me saem

Com certezas impensadas nas costuras de experiências

Da minha ciência inexata de sentimentos deixados soltos

 

Soprando desertos nos desenhos falados de esperança

Em um oásis infinito de ti por toda parte de areia fria ao sol

Mar de vento arenoso no limite do pensamento viajante

De tempos em tempos com pequenos passos distantes marcados

Nas instâncias vistas nos ciscos incômodos nas pupilas fraquejantes

 

Longes nos caminhos movediços por momentos ventados

Pelo meu sopro engolido nas areias tempestivas chovendo na pele

Sem tristeza na seqüência da colisão das conjugações idas vindas presentes

Na minha primeira pessoa sem posses o descanso conversa

Hoje estou cansado

Meu sono me chama para uma duna aconchegante de sonhos em construção

 

16h15 (Rafael Belo) 05 de janeiro de 2009.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

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Coletivo das paixões
O ônibus parou já mais cheio do que deveria. O comentário dentro era que quebraria e muitos nomes diferentes para o motorista surgiam. Ele continuava pegando passageiros. Quando estava quase no destino... Quebrou. Não adiantou que eu rezasse e pedisse para as forças do meu não entendimento ajudassem. Antes eu passei pelo primeiro ônibus perdido. Ironicamente estava cheio demais... Me pareceu sarcasmo do destino. Os telefones do meu emprego não me atendiam...

Fiz cara de fazer o quê e fiquei preso dentro do ônibus quente quebrado e no acostamento entre os municípios. Alguns minutos depois chegou o primeiro ônibus salvador (?). Só então, pude perceber a dimensão de “lotação” (que o certo mesmo é cheio, mas...) pela primeira vez olhei para cada um na mesma situação e realmente se fazia uma pequena multidão que não coube tudo neste salvador olhei para todos os lados e... Continuei pensando.

Finalmente, mais alguns minutos depois, chegou aquele que “me” levaria mais algumas centenas de metros até meu destino: a rodoviária. Ao lado dos na mesma situação ouvia as mesmas reclamações enquanto estava em pé antes da catraca no ônibus prestes a quebrar:

- “Não pode”, dizia um.

- “São normas da empresa”, argumentava outro.

- “Tem que pegar todo mundo, mesmo se quebrar. Senão, dá problema para o motorista... Já fui motorista por 30 anos...” silenciava o mesmo outro.

- “Ainda bem que minha mãe ficou com o bebê e o levou no carro. Trazer criança em ônibus é fogo”, mudava de assunto uma terceira.

Sem maldade, fiquei pensando: Por que não foi com sua mãe de carro...? Da rodoviária fui tirar meu pai da forca e subindo a pé as ruas íngremes, costurando o trânsito feito motoqueiro, comecei a raciocinar: “meu” ônibus pára três quadras à frente... Nisso, olhei para trás e o vi. Meu ônibus parando na esquina que acabara de abandonar. O sinal estava fechado para ele e deu tempo para a minha entrada. Ufa! Depois do trabalho sem trabalho, teve reunião que salvou o dia e então o corpo-a-corpo do trabalho. Atrasos em outros compromissos à parte...

No ponto de ônibus ela estava toda de branco. Sentou com sua amiga perto da porta de saída... Lá no fundo. Mais ao fundo à direta, à esquerda de quem caminha de frente, duas mulheres falavam... Não não... Uma! A outra escutava como quem assiste um novelão. Estava em pé de lado e óculos escuros. Olhava, sorria, prestava atenção. Era criança e ainda havia quem gritava no lugar do motorista: “Um passinho para trás... Vai que cabe... Aperta mais um poquinho...” Que mania de diminutivo. É como lidar com criança. Por que não faz uma música...? Só um pouquinho... Pra trás... Pra trás... Naaão!! Disse música, mente ignorante! Nos banco do ônibus, uma ouvinte paciente e ansiosa com a falante do coletivo das paixões. Ex-namorado ciumento recém ex de alguém. Toda empolgada a garota conta que já diziam que não ia durar que ele ia voltar. Parecia que tudo acontecia no presente com ela. Eu estava em casa meu pai me chamou e achei que fosse meu namorado, não era. O cara tentou me agarrar queria um beijo de qualquer jeito, ofereci um abraço. Ele disse que não acreditava que eu estava namorando “desde quando” ficou falando. Há duas semanas (ela disse como se fosse uma eternidade) e ele repetiu: “Não vai dar certo, ele vai voltar com a ex dele. Eles se gostam muito... Daí você vai correr atrás de mim.” Aí percebi que era passado. Parei de olhar de canto de olho sob os óculos escuros, olhei de frente recebi um sorriso e pensei. Coletivo, paixões... Ah, coletivo das paixões. Ela me olhou com um sorriso convidativo, descemos. Eu para um lado e ela para o outro. Adoro o coletivo...
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Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Aperto

Corre acelera mais freia faz uma massa o povo
Loucos nem tanto cansados animados querendo o destino imediato
O motorista pára recebe toca em frente e o povo sobe e desce
Balança e quê calor no aperto de gente compacta na lata de rodas
Modas histórias são pessoas rumo às trajetórias no coletivo
Enchido de vidas bifurcadas ligadas por um umbigo social

Se encostam se amassam se juntam e se incompreendem
Enquanto os destinos passam param seguem sem parar
A cidade se movimenta a trancos solavancados a nos segurar
Nos olhos pela janela em algum lugar entre partida e chegada
Sempre entra mais um na massa misturada de todas as diferenças
Conversas silêncios barulhos gritos e relações se formam ou continuam

No som da corda soando o espaço ocupado do ônibus
Mãos se levantam se seguram quando procuram equilíbrio
No trânsito atrasando o ônibus atrasado todos estão em pé no ponto
Acompanhando os minutos a cada segundo talvez no relógio talvez no celular
Mas esperando sem parar o transporte transportar a catraca rodar
Quem sabe quanto tempo dura o vazio de um ônibus lotado...

Lugar para sentar dá o ar no meio da multidão e nem sempre é ocupado
Senta levanta e o sinal fecha e os carros buzinam E o sinal abre e não há lugar
Acena o sinal puxa desce sobe continua anda espera... Chega...
Acelera freia suspira e vai... Até o outro dia.
11h39 – 23.12.08

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Destino dos "Ses"

Fiquei pensando em uma segundona brava destas em tantos “ses” que minha vida mudaria totalmente. Mas aquela segunda não era feira era fera (que trocadilho horrível) me mordeu o dia inteiro e no final não era fim... Não tinha dado certo, afinal (risos). Começou com muitos atrasos, nada que eu mexia funcionava, as coisas no trabalho se enrolando e no começo da noite tomei a chuva que tinha “programado” para tomar de manhã... Era tudo que eu queria... Estava muito calor. Depois fiz treinos forçados e na saída... Chuta... Chuva! Entrevistei um anjo... Na terça. Um artista performático “vestido” de anjo em estátua viva. Ótima história de vida. Mas, voltemos a segunda, os desencontros da noite só aconteceram porque me atrasei em uma reportagem. Bom, não fui eu... Meu gravador (mp4) deu abundância de informação e tive que apagar muitas coisas para repetir a “conversa”... Se cada coisa não tivesse me atrasado à sua maneira não teria me esgotado absurdamente e ficado sem meus treinos de terça, se fosse "à" eles teria sido assaltado...

É o destino dos “ses”! Se não existissem, as coisas não seriam como são, não é? Se eu não tivesse ficado nove meses “sem emprego” teria nascido um desânimo avassalador que eu não saberia criar nem que mudasse de sexo e virasse homossexual (nada a ver)... E o destino oposto? Se tivesse acontecido estaria eu escrevendo o se não tivesse acontecido? Vamos bagunçar a mente mesmo... Em outra segunda (a seguinte da comentada) ia tranquilamente em direção ao ônibus e a um quarteirão ele virava a toda velocidade, pensei perdi... Mas, após a curva algo impedia o ônibus de virar totalmente, o que interditava o trânsito no fluxo por onde eu passaria. Ainda havia uma fila média possibilitando que eu andasse calmamente e entrasse no ônibus e não me atrasasse.

Dentro do ônibus leio e pareço objeto de curiosidade, mas, ninguém pergunta nada... Os pequenos grandes milagres da vida estão conosco todo o tempo ,enquanto acontecemos, eles acontecem... Basta observar e nos dedicar a fazer o que gostamos. E sim há uma conspiração no mundo e é a favor de cada um de nós. Otimismos? Não, percepção. Deixe o olhar atento e sorria, afinal do quê adianta amarrar o rosto, esconder os dentes, rosnar e soltar fogo e fumaça? Estas coisas que não adiantam pesam. Alguém acredita que o quê fazemos e não fazemos dá a volta e se volta contra nós? Acabei parando de me preocupar com coisas banais e rir delas sem sarcasmo, talvez com um pouco de ironia. E não somos nós a própria ironia... Bom, não importam os lugares, importam as pessoas!

Domingo, Dezembro 14, 2008

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Na distância


Você acorda uma manhã qualquer e... Não, não é uma manhã qualquer, é uma manhã de segunda-feira pegando fogo. Seu fim-de-semana invade a cabeça e tudo que tem vontade é mandar tudo à merda. Muitos egos e “conhecimentos” em uma roda me gera mal estar. A atenção se dispersa e... “O quê estou fazendo aqui?”... Quanta introjação (palavra derivada de introjado que significa mundos egoístas para uma visão de conforto na vida) e clichês mal feitos.

Meu defeito, caro, sou ser eu mesmo. Nando Sincero. Sou eu. Feito o Doug Fane... Introjado? Só invento mundos pré-existentes e para minhas histórias. Detesto regras, elas não me permitem ser. Este fim-de-semana fui calado. Tanta falação desvirtuada me deixou com as costas pesadas. Em um ambiente tão trêmulo que palpável. Ninguém finge perceber ou sentir algo diferente. Mostram seus mundos como únicos (e o são) e verdadeiros (não deixam de ser), mas serão verdade?

Diziam não dizer! Sem conselhos e os davam... Pareciam aceitar tudo que era dito, mas cada olhar dizia ao contrário. “Quero falar”. Devo ter uma visão torta e porque me irrita? Qual a mentira, afinal? Para quem ouve ou para quem diz? Uma luz, por favor! O quê estou fazendo, onde estou? Viro as costas e me disperso. Bebo litros de água, suco e em todo lugar dizem as mesmas babaquices homossexuais. Ô “vida louca”!

Nenhum homossexual por perto e a conversa imita trejeitos. Imbecilidade comum entre homens, mas e quando parte das mulheres... “A mesma vida tudo sempre igual”! Sou extraterrestre, me tirem daqui. Chega!

- EI, VOCÊS!, ele grita com um sorriso de raiva enquanto todos se viram imediatamente.

- “Caros”, Juízes, advogados e júris. Que merda vocês estão fazendo? Que porra de idade vocês têm?, encarando cada olhar perdido perplexo e se auto-desculpando internamente pelos palavrões.

(silêncios trocados em olhares)

Nada na cabeça deles a não ser egos e álcool. Se divirta diziam. Se divertir é se embebedar, vai se foder (me desculpe a mim mesmo). Me irrita a alma tremendo o corpo querer ser igual mostrando ser diferente...

- Todos assim serão infelizes... Ninguém escuta de verdade o outro ninguém argumenta, impõe. Idéias não são exclusivas. Parece uma selva de celebridades aqui. Nada de dizer o que pensa. Predadores vendo um monte de presas e mostrando as suas...!, ele balança a cabeça. Não adianta!, desabafa respirando fundo soltando o ar.

Desce do capô do carro e fica surdo para cada palavra interrogativa às suas costas. Era irritação de berço... Desaparece na distância.

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Sábado, Dezembro 13, 2008

Nos

Estar cheio me deixou vazio
Contaminou-me de aborrecimento
Com expressões amarradas em tédio
Enojou minha garganta vomitando náuseas
De sinceridades incomodadas com complexos

Mordendo os dentes com a voracidade de um animal faminto
Envermelhando os olhos no enveredar sedento de uma piscina suja
Tornou bruto o olhar endurecido de egos falantes saltando no ar denso
Tensas rodas repatriadas nas pátrias perdidas no pensar sem reflexo passado
Cheira tonteiras o clima forjado no impulso de qualquer participar quando ausente

Qual a força social prendendo o anti-social no meio do nada pomposo de recheio amargo?
Todos têm uma opinião vestida de piada pronta na posição do retardo do ataque de sonda
No corpo mórbido a equilibrar a sonsa idéia de não existir primordial princípio que torça
Suposta retidão para caminhar nas tosses tortas avisando inconveniência na saliência falante
Boca tosca torcida para mostrar esvaziar enquanto a saliva corrói visão indigesta impalpável

Estar nem sempre é agradável quando o corpo cansa
Ser se silencia nos ombros levantados encolhidos feito tranças
Enrola-se tudo por não deixar de ser criança a imaginar o mundo
Povoado de criatividade sonhada enquanto era uma vez
Estar cheio esvazia nos momentos de insensatez

13h07min. 1º. 11.08

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Quem?

Parece que o mundo me dá raiva e não diga “a mim também” (são raivas diferentes). Sinto o mundo rancoroso. Sinto-me assim, assim estou porque evitei escrever e claro, meu sono está tão atrasado que ainda não cheguei no dia de hoje. Quanto aos outros, o quê evitam? Pensei “Quando até os ventos contrários sopram à favor é tempo de ignorar os ventos e prestar atenção em si mesmo!” É, jogue o seu jogo. Deve ser eu, mas as pessoas ao meu redor parecem não querer sair da frente ou seguir: todas querem liderar. Todos querem ensinar... Bom, às vezes eu entro nesta arrogância também. Mas, hoje não tomei o gole deste veneno por mais que fosse oferecido. Ouvi o seguinte há alguns dias: “Tem pessoas que a gente conversa e vai sentindo um peso nas costas...!” Concordei da mesa ao lado. Seria isto acúmulo de energia negativa? Não...? É que certos tipos de “atitudes” não caem bem em nenhuma hora do dia.

Nem sempre a sinceridade espontânea é ouvida ou deve ser dita. Porque o outro não vai gostar? Não, porque, pode ser que, você se sinta mal com isso. Então, um sorriso inexpressivo e o silencio podem resolver, afinal sutilezas existem. Muitos (provavelmente todos) os monólogos fora dos palcos são chatos, enfadonhos, sonolentos... Perfeições são forçadas (a não, talvez, ser o equilíbrio) tal frase nos permite concluir: há muitos pontos de vistas e dominar todos é de uma raridade... Faz bem voltar à caverna, nos torna mais tolerante, pois, a simplicidade da vida é uma, mas, as suas faces... Por isto o mundo me pesa e me põe em qualquer lugar para me sentir deslocado. Acontece muito, até o momento em que parte de mim se recoloca e outras ficam de fora observando anotando. É quase um parcial conforto fazer parte em parte daquilo, daquele ambiente surreal para quem vive em outro mundo.

Você escuta e troca de corpo vai até a experiência de quem fala fazendo uma trajetória possível deste. Pode ser que assim o mundo não dê tanta raiva, assim você vê que independente de quantidade há algo a aprender. Há muito além de nós e o precipício fica aí. Hipócrita é a palavra do século, pois, somos introjados e inventamos nosso mundo definitivo... Olhamos para fora do nosso mundinho e procuramos quem se encaixe no eterno reality show voyer, nas nossas expectativas e frases feitas de piadas prontas, no nosso desrespeito a imagem do próximo, nas nossas cansativas falas e pouca ação, na nossa projeção de querer e embaixo de tudo isso se forma um vazio cansado enterrado, difícil de achar. Não nos damos chances de conhecer os outros sem listá-lo imperceptivelmente, temos um ideal forjado a tempo ínfimo e imagem limitada do que vemos e o quê vemos, afinal? Talvez, quem se “pareça” conosco e não quem nos aceite como somos! Mas, quem somos?

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

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“Sim”



Meus olhos já viam luzes e escuridão. Me considerei cego. Esfregava os olhos, nada mudava. Havia explicação e tenho nome, Silvio. Minha cegueira era de paulista (que no Houais significa teimoso) e sou do interior de São Paulo. Me chamavam de Vio, também porque via demais. Fiquei horas teclando e a claridade do computador levou minha visão. Mesmo assim, ainda ficava na frente da tela digitando como se enxergasse.

Depois deitei dormi e continuei a ver luzes e escuridão. Agora ambas piscavam. Toda minha cabeça piscava e não conseguia mais comer. Doía e tinha ânsia. Rezei para que o sono atrasado, agora em recuperação, resolvesse. Foi uma tarde... Desperdiçada! Alguns flashes me posicionavam no tempo e espaço, mas, já não raciocinava direito e não entendia.

Vio, retardou. Não tinha a ver apenas com o computador, aliás, muito pouco tinha a ver com a tecnologia. Quando criança ele procurou a cegueira, encontrou anos depois os óculos. Ano a ano sua visão piorava, seus graus aumentavam, então no auge dos 17 anos, mal falava. Se remoia em depressão e culpa. Era um fardo indesejado em um canto solitário.

Na própria mente, não imaginava mais. Não sabia o que era a vida, desde que olhou até sentir queimar, para o sol. Era rejeitado por si. Ouvia ainda. Mas, não sabia se era ele quem desejava ou os outros. “Viver sem ver é a morte, morra”. Ele entendia isso, inexplicavelmente. Não entendia mais nada. Como ficou assim? Nem sonhava mais... Havia uma raiva dentro dele.

Ele ainda sentava na frente dos teclados e ficava olhando só para as teclas. Digitava. Era um impulso. Diário. Atrás dele uma janela de quatro andares. Janela baixa l estava vazio, mas, as vezes aparecia algo com sentido na tela e as pessoas se perguntavam: “Vio, é realmente cego retardado?”. Uma vez e unicamente ela, ouve uma resposta final. Estava escrito:

- “Sim”. Lá embaixo as pessoas gritavam e olhavam para cima.
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Tamanho pequeno

Quando tudo depende de uma só coisa
Nada sai exatamente como deveria
A perfeição não está envolvida com isso
Se bem que poderia...

Pois se trata, então, de única visão mundana
Vestindo túnica divina na esperança de solução
Seja falha da máquina ou humana hão de ter mais vias para da vida
Homilia com odisséia de superação

Intactos nos cacos vamos com as idéias
Ganhando paixão sem irem sozinhas nascem no chão
De uma grande superior tamanha que é pequena
De tanto que tem de tanto que sabe
Prefere nada significar na sua extrema importância

Concentra a relevância percebida em uma rede para espalhar
Deita na ilustração e o tecido tênue da rede estica arrebenta volta ao chão
Para arrumar a rede de novo concentrada e dispersa

Imersa emerge para as possibilidades de não depender
Percebe-se de si dualidade de harmonia contraditória e chora intempéries

Lava a rede de suas inundações precipitadamente precisas
Faz estações do simples e veraneio de chuvas em toda época complexa
Refresca na medida com amargo agüentado sem saber até
A água salgar saindo dos poros para a conexão dos nossos graus
Subindo sal por sal as garantias de areia imaginárias nas correntes rompidas

06.1108 – 16h10min.

Volta máquina!

(Há algum tempo em uma folga durante o serviço) - Ainda bem que não perdi o hábito da caneta e do papel! Todos os dias escrevo e nas noites, quando os pensamentos ganham vidas iluminadas, recorro ao tatear no escuro blocos, cadernos e as dezenas de canetas a me cercarem. Normalmente, enquanto o sol faz um semicírculo no céu, percorro blogs do um interesse e um ou outro que participo para comentar e interagir com outros. Antes leio e comparo os três jornais locais. Depois posso criar antes do trabalho pegar de fato. Um dia qualquer antes de hoje a tecnologia me derrubou...

Estava com oito arquivos diversos (criando e dois blogs abertos quando as letras “e”, “f”, “d”, “r” ... – este aqui só as teclas “e” e o ponto têm que sofrer pressão - além - para serem digitadas. Bm aquelas teclazinhas começaram a ser atalhos e não consgui fazer mais nada. Certo! Me desafia, máquina! Após caçar as configurações já pensando ser vírus – Nossa! Que garrancho isso! – reiniciou o personal computer. Reiniciado o pc continuou nas mesmas quando ativei o anti-vírus e o anti-spyware... Deu pau!

Nessa altura já percebia meus planos náufragos... Respirei fundo e na terceira vez consegui. Ainda passa os que espero salvarem meu dia. É nem tudo está perdido, só há perda total se este garrancho for publicado com estas formas devastadoras de letras monstruosas... Se bem que nestas “últimas” linhas melhorou... Nãooo! Volta máquina!!

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

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Dois corações em um

Anoitece, deito nos tecidos do chão. Meu coração indeciso pressiona-me todo. Quer duas quer uma está só. Não se viram nunca se verão e se alternam. Sou louco por uma, certas horas, em horas incertas a outra me enlouquece. Por acaso saio sozinho, encontro uma e me apaixono pela passividade, quando escolho sair com a outra, sou apaixonado pela Paixão nos olhos dela. Meu coração não se divide nem se separa. Mas, por mais entregue para uma, só pára com a outra. Dividida está a mente: Quer para sentir, não quer para melhor pensar. Amanheço assim, no chão. Nesta noite, conto esperando incompreensão. Ganho cabeça baixa e ambas desencontradas, estão iguais a mim. Dois, um, só... Partir...
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Sem só

Beijou a chuva repentina, dois lábios de mãos dadas
Correram sorrisos, muitos beijos molhados
As cores cinzas, entoavam o tamborilar
Chovia, a sensação de pássaros.

As poeiras vivas olhando, lavadas escorriam
Todos que estavam, deixaram de estar
Só a chuva, e os risos falaram
Continuados lábios se uniam

O mundo de vastidão é pausa, então
Para cada, toque da boca da alma
Os movimentos, param
Só dois, percebem

Ele e ela, fizeram o parar
Sem parar um instante
Sem deixar, de estar
Se molham leves

Só eles existem na chuva
Só a chuva existe neles
Não há só
Chove

13h24min. 22.11.08

Família

Não me vejo acostumado com nada. A não ser, não ficar parado por muito tempo. Conversar com muitas pessoas em tempo real ao mesmo tempo sempre me parece interação, mas, só porque sou doido o suficiente para imaginar a pessoa na minha frente. Expressões, risadas, gestos, olhares... Tudo acontece mesmo. Não vejo nem teclas, nem tela! É real o virtual! Minha loucura sadia produtiva e que não penso ser loucura...

Quando a bunda começa a doer, simplesmente me despeço ou saio. Há muito mais pessoas lá fora, na minha loucura normal... Estou escrevendo um conto (na verdade está bem parado), sobre as pessoas que conheci no mundo virtual, realmente temos uma relação. Algumas conheci pessoalmente, outras só pelo telefone e o ”engraçado” é que são pessoas importantes pra mim... Nunca acreditei em relações à distância, mas desta forma vale.

Parece triste ter amigos virtuais apenas, eles lá na tela, nos teclados... Falando nisso... Fui invadido por uma tristeza incomum (um pouco mais cedo). Parecia algo arrancado de mim. Não escutava o coração... O motivo maior deve ser não ter ficado o fim de semana na casa da minha irmã mais velha. Pensando bem, outras vezes (pouquíssimas), me senti parecido. Já morei com ela, meu cunhado e sobrinhos (dois). É a única família que conheço! Falo do conceito, pois, tenho meus belos pais, outra sobrinha e uma irmã do meio... Não digo quantos somos (risos)... Todas as famílias têm problemas, “esta” minha também. Mas, lá é um lar presente. Há incentivo e muito Amor. (Considero meus segundos pais - irmã e cunhado). Se amam, se escutam, se divertem, se ajudam... Os quatro, os cinco quando lá estou. “Família, família mesmo!”, sempre digo.
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O Fotógrafo

No começo eram duas árvores escondendo a fachada. Depois a vi. Meu coração apertou e pesou tanto que tive que parar. Depois dos verdes... Não conseguia olhar para os velhinhos bem cuidados, mas, abandonados. A família? Nunca mais! Depois de registrar a horta. Decidi não tentar ignorar. Tanta carência... Por isso buscam na vida a eterna juventude. Medo de ficar como eles... Tratados por carinhosos, porém desconhecidos. É triste olhar, o enclausurar de um idoso!

Preferi não registrar a tristeza. Mesmo meus olhos não terem feito o mesmo e agora choro. Ouvi que falta interesse, falta amor... Falta vida naqueles olhos tristes de abandono. Voltei. Uma senhora me chama de pai, ela traja um pijama de enferma e uma pulseira dizendo a doença que a acompanha. Ela aperta minha mão diz: “Cuida pai.” Só há um olho direito esbranquiçado, no esquerdo, o vazio. Ela gruda no portão como se esperasse uma visita que não existe. Digo tchau , ela : “já?” e volta para a espera.

Há um grande silencio abraçando o lugar. Um senhor muito magro com soro na cadeira de rodas, fuma ao lado da grama verde mais adiante. Quase do meu lado, um outro senhor denuncia em vão a infração. Este segundo ninguém entende, mas, pelos gestos eu imagino que ele também tenha o vício, porém, segue as regras. Ouço a tevê e há muitos idosos no espaço.

Todos de pijamas diferentes, adoecidos de extrema solidão. Nenhum do lado do outro, alguns deitados no que deveriam ser macas e todos colocados como móveis para preencher o lugar. Nenhum parecido, exceto por não estarem assistindo tevê. Parecem pensar porquês e assistirem as próprias vidas. Poderiam estar em um canto, na rua... Estão aqui sem família, menos os olhos. Onde está a vida? Não dá para captar... Abaixo a cabeça, me levo vazio. Não é hora de tirar fotos...

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Terça-feira, Novembro 25, 2008

Ser começo

O chão prende
Minha mente velha
A gravidade repuxa
Minha alma idosa
Aquele corpo leve
É novo é zero

Um receptáculo vazio
Abandonando pensamentos e essências
No solo suculento
Silenciosamente no acontecimento nulo

Há vácuos sugando
Cada envelhecer esquisito
Levando a cegueira
Embarcando a surdez
Encadeirando a mobilidade
Enquanto a mudez não é muda

Mudo a loucura
Na plena razão
Presa no peso pena
Para um ponto final
Ser Começo do nada

00h34min. 22.11.08

Paz no tempo da perspectiva

Me imagino velho. Correndo com meus bisnetos. Sinto meus cem anos sem solidão. Sempre senti... Sorrio pensando nisso sem força alguma. Me sinto forte no meu distante futuro realizado e feliz. Trabalho com palavras e imagens e sons... Como sempre! É gostoso pensar nisso, é gostoso pensar em viver e viver! Como se visse as fotos digitais, digitadas em minha pele desde já. Não está escrito, nasci escrevendo... A morte? Vai bem, obrigado. Faz seu trabalho por aí e por aqui conforme os desígnios. Pena que também fazem por ela... Tudo isso se passa pela minha mente pequena e discordante porque hoje fui fazer outra das coisas que me levam para todo lugar: fotografar!

Minha amiga e (também minha) ex-chefe de assessoria de imprensa me “acusava” de tirar fotos demais. Ela tinha razão e não tinha. Nunca são demais fotos pra mim, para o emprego há limites... Não virei ex-funcionário dela pro causa disso, outra história e empre houve fotos mentais ... Tenho lembranças vivas na mente e nas fotos por aí, por lá, no orkut e (como todos,creio...)... Quando criei um flogs - que não lembro mais meu nick e senha – há cinco anos, postava e comentava as fotos todos os dias. Tenho amigos até hoje daí. Na facul mesmo trabalhar com preto e branco, revelar o próprio negativo e filme... Também foi muito underground, uma grande viagem. Tenho um álbum delas. Tudo manual: das máquinas a revelação... Nossa! Parece que nunca mais...

O Ano passado ainda anda comigo. Foi quando fortifiquei minha paixão e aumentei minha experiência. Foto esportiva. Na passagem da tocha do pan do Rio... Foi uma aventura! Em uma moto cortando a cidade atrás de atletas e tocha. Veio a Stock Car, ensurdecedora e emocionante. O Brasileiro de moto velocidade, ciclismo, lutas profissionais... Sonhos... Solidariedade, garra e força, muita força. Hoje, a cidade... Panorâmica... Das alturas. Inesquecível. Fazia alguns meses frustrados, que não ficava tanto tempo com uma câmera e fotografava sem parar procurando perspectivas, ângulos e arte... Luz e sombra... Estive longe hoje em cada objeto, ser e tudo bem do meu lado. Não me permito largar mais as câmeras. Natural! Estou mais em paz, sem tempo.

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

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Suspiro final


Era só um suspiro que sua cabeça grande ouvia. O sujeito fingia ser apenas imaginação e às vezes vento. Não protegia o cabeção e o culpava por ouvir sons. Sons sem sentidos foram formando chamados. Eram tantos, que ele passou a desacreditar nas coisas.

Logo era uma voz. Começou a entender os chamados. Primeiro era o seu nome, depois uma apresentação e um “eu voltei”. Havia um suor frio constante naquele rosto flácido. Tampava os ouvidos e surgiam palavras nos livros, nos espelhos, no rádio, na tevê... Liberou os ouvidos...

Se escondia com os amigos depois de certo tempo. Era o que precisava o sujeito. Por algumas semanas ele parecia surdo. Até... Sentir a voz zangada pelos gritos. Todos ouviam e correram para um quarto. Foi só um puxão. Ele se agarrou nos amigos, ficou pendurado no ar.

Estava quente. Não era qualquer calor. Diziam ali estarem derretendo. A pele do sujeito era a única que escorria. O termômetro estourara no início do retorno da voz entre os amigos. Não tinham se dado conta do quarto em que entraram.

Certa vez, o sujeito entrara ali dizendo coisas que nenhum dos amigos entendia, depois desapareceu até retornar igual agora. Ele se agarrou nos amigos, ficou pendurado no ar, as canelas e os pés estavam já fora do quarto. Tudo estava bem, até não star mais...

A cara de pavor do sujeito era tensa, tinha o tamanho de um grito poderoso sem fim e apavorava mais os amigos do que o que acontecia, como um segredo só dele, que com ele desapareceria. Foram segundos “parados”. Foi arrastado pelo ar se debatendo sangrando pela força dos impactos.

Depois, escuridão e esquecimento. Tomou conta, na noite permanente. No escuro só um último suspiro de ar largado foi ouvido.
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Domingo, Novembro 23, 2008

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A próxima


Estavam na sacola todas as lembranças da vida. Cabia apenas um punho dentro da sacola. As alças enroladas na mão todo o tempo, como se fizesse parte da mão. Ninguém soube dizer quando ou se teve início tal ato. Já disseram que quem carrega a sacola é um anjo.

Anjo? Vem a pergunta imediata, mas, não foi feita. Só o fato de parecer uma dúvida pairando, criou faces furiosas. A expressão sorriu passivamente e seguiu em busca da figura da sacola. Foi vista ao longe e de relance. Mesmo desta forma provocou um entendimento.

Definir o sexo era impossível. Uma figura andrógina, como descrita na bíblia as criatura angélicas. Pode ser homem, mulher e nenhum... Para uma cidade esquecida, antiga e isolada aos moldes das cidades fantasmas do faroeste dos nossos vizinhos estadunidenses, perfeitamente um presságio.

De quê? Imagine todas as histórias apocalípticas e se prepare para o fim. Só via de longe a figura e sempre me atraia - toda a atenção que já pude ter - a sacola. Esquecia-me de algumas coisas ou acreditava nisso. Estava um nativo sentindo o mesmo do resto da cidade.

Estranheza, medo, o fim... Comecei a abaixar a cabeça, os segundos fracionados a trouxeram. Não tive tempo de imaginar tanta coisa vazia vestida e com a sacola. A figura era limpa e clara parecendo não tocar em nada que não fosse a sacola.

Os pequenos milhares de habitantes de Nenhum Lugar, de alguma forma chegaram antes de qualquer reação minha. Uma mão cortada sem sangue caiu em minhas mãos espalmadas para o céu. Largou a sacola. Meu redor virou areia e pó. Não tinha lembranças e todos as perderam. A sacola era minha e eu tinha que alcançar a próxima cidade.
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Subindo

Voou a sacola rasgada sob os olhares
A alguns metros sobre a cabeça
Não tinha importância nem qualquer vida
Há um redemoinho lá dentro
Maior que o rasgo

Vive o saco rodando no alto
Soprado de vida alheia
Levando cabeças a tontear
Bocas abrem observando o objeto
O saco lá não cai

Vai mais alto ao acaso
Ignora o rasgo, vai
Sem vida parece mais viva
Que o olhos intensos imaginando ela
Tais olhos olham pela janela ou são janela?

O quê torna a singela sacola atração
Se milhares a seguem em outras direções vazias?
Para onde vai se não cai perante a expectativa?
Mais sopros de vida circulam
E a sacola só sobe.

14h35min.
20.11.08

Abastecer

Fome, minha amiga de hora em hora. Foi ela quem me levou há dois dias a ir ao supermercado e gastar, economicamente, quase quarenta reais para o mês. A ida e a volta que não foram as melhores. Por quê? Primeiro fui a pé – certo não ligo muito pra isso. Segundo o sol estava saárico e nenhum supermercado fica sequer distante daqui. Terceiro, finalmente, a volta foi com sacolas minúsculas e pesadas com apenas subida abaixo do sol citado. Supermercado vazando pessoas, eu de bermuda jeans (marrom) rasgada, tênis preto e prata com, também, fome, mas, de meias e camiseta regata vermelha – fora os óculos escuros.

O prelúdio de tudo foi o cancelamento de uma reunião. Achei o máximo... Havia dormido às duas da matina, escrevendo. Acordei às sete e fui comer. Tomei banho, escovei os dentes, comecei a vestir roupas quando o celular vibra em cima do microondas. Não queria nenhum som cedo... “Imprevisto de última hora (redundante para ocasião)”. Fecho o celular, olho para um lado para outro, só trabalharia à noite. Esqueço os palavrões também de ocasião...

Então conectado ao virtual, respondi perguntei, postei, conversei, teclei, teclei, teclei, escrevi, salvei várias vezes... Que horas são ein? Onze horas... Havia esvaziado meus alimentos da “despensa” e geladeira cedo, vesti a camiseta regata vermelha e fui. Poucos carros respeitam pedestres, cortei duas praças cheguei ao destino engoli seco a multidão consumidora e fui direto atrás do que queria. Pessoas idosas e gentis sorriam pediam desculpas passavam. Estava com uma cesta azul pedindo arrego. Não cabia nem o vento mais.

Na fila um senhor estava com um carrinho imenso com três “compras” minúsculas... O caixa preferencial para idosos e gestantes estava fechado e os caixas rápidos para dez ”compras” lentos, muito lentos. Foi o comentário de uma idosa “para mim” neste caixa para muitas coisas... O senhor reclamava do que eu estava observando: o tamanho mínimo das sacolas. Não faltaram ironias envolvendo a crise financeira mundial...

As malditas sacolas são metades das “originais”. Foi uma tragicomédia ver idosos e mulheres saírem com caixas pela tristeza das sacolas... Como não sou nenhum aracnídeo separei oito sacolas nas duas mãos que me restavam e enfrentei sol, subida e olhares o tempo todo. Se abastecer para a fome dá uma fome...

Sábado, Novembro 22, 2008

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Irmãs


Belas, iguais de personalidade quase atraente. Privilegiadas pela morenitude de curvas e madeixas de balanço sedutor. Uma simples até na arrogância e a outra mais fascinante por só simples. Mas, ambas envolvendo o mundo no caminho florido de uma primavera sem flores visíveis nos beijos da cidade.

Há uma solidão convivendo na pulsante carência exalada atraindo abelhas descontroladas, que ferroam e logo morrem. Olhando bem, povoa uma inocência promíscua própria da particularidade da dupla de olhos tristes. Sentam na calçada e a lua vem dizer boa noite. Elas não percebem e continuam...

Elas ignoram o mundo, mas, vestem os trajes ignorados, pois o perfumam com uma brutalidade delicada que apenas a elas convêm. Elas apaixonam dons desavisados de língua entre os lábios e mãos maliciosas em busca de carnes mais quentes. Viram para o oposto sem pensar. Dão dois passos e acabam sorrindo.

Estão juntas em casa. Estão separadas em casa. Falam e não conversam. Ficam no espelho para depois não se verem em outros lugares. Há uma beleza prevalecida na morenitude imponente chegando antes delas, por aquele aroma atraente. Seriam apenas estátuas na antiguidade. Não quaisquer. Helenas de “tróias”.

São irmãs. São solteiras. São flores de plásticos mortais... Só não se sabe separá-las, mesmo não estando juntas. Flores sim. De jardim não. De nenhum, aliás, pode procurar. Elas são simples, cada qual a maneira única.Só há uma vaga certeza: Não há espinhos nestas flores, mas regá-las pode nos impedir de colhê-las.
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Outra forma

Ficou travada na língua vibrando
Como bambu seco enterrado tentando ser pipa
Era a idéia nativa se liberando pela boca impedida
A mente articulava e dava o tom de acesso, mas tudo era mudez
Em uma sonoridade isolada nas narinas e presa na boca aberta
Permanecia o silêncio

Uma tosse calada epilética contorcia até o corpo
E a cabeça pendia desolada até o queixo encontrar o peito
Não havia jeito de expressar a frustração
A calada da noite ficava sem estrelas sem o som sair
Com a mente abalada embalando um modo da idéia se proferir
Escurecia por dentro também

Porém, uma luz insistia em torcer a língua lânguida
Com lábios à frente esquecidos do movimento de formação

Os pensamentos viraram quadrinhos no balão sobre a cabeça
Nada dito
A boca faz aquele bico
Para depois contorcer para os lados
No fim sai o suspiro da idéia apagada
Engasgada

00h43 min. 20.11.08

Fomente sua idéia

Contrariada. Assim começou minha manhã, que não sei por que me acordou mais cedo. Comi, comi, comi - claro que antes fui ao banheiro jogar água no rosto e... Depois fui descontraindo. Há tempos não surgia eu e a rua, por trabalho, para ver jornalismo em tudo. No desenvolver da conversa jorraram idéias na conversa a três. Faltou língua, fôlego e papel para acompanhar tantas idéias e associações se atropelando na mente. Sobrou para um dos jornais, que agora vejo todo canetado, marcar tudo. Foram quadrinhos inventados, personagens, nomes, portais, ideologias fundadas, ONGs reunidas, histórias construídas, a nossa Ribeirão Preto virou uma cidade do futuro com oportunidades vindas do estímulo da boa vontade. Pareceu tão simples mudar o mundo e ser exemplo. Meu estômago queimava. Seria fome? Era. Mas de quê?

O tempo escapou e em alguns minutos foram poucas duas horas! Nem deu para falar um centésimo do que cheirava queimado fora da cabeça. Os olhos neblinaram e os faróis baixos se acenderam, a educação mostrou-se controlada diante de tantas idéias anotadas como contorno daquele jornal. Pensei, então, como agora, que uma idéia pode não mudar o mundo, mas, acreditar nela... O fato de poder pensá-la já mostra a grandiosidade da nossa mente. Somos incubadores vivos! Está aí mais um motivo de vergonha (ou seria timidez?). Dizer o quê pensa e as idéias, pode intimidar. Vejo medo de errar também...


Somos grandes certos? Mas, nada de arrogância. Eu prefiro assumir minha pequenez e ficar feliz com bons papos produtivos, assim como bons papos improdutivos... É uma satisfação poder compartilhar o que não cabe em um sorriso imenso. Me sinto alimentado quando converso com as pessoas. É uma troca, às vezes invisível, percebida apenas em outro momento mais adiante. O que me contorce o rosto é perceber que algumas pessoas se ausentam de pensar... Estarei certo?... Lembro aqui de Nelson Rodrigues com o “óbvio ululante”, quando penso (está difícil parar) nas soluções encontradas na cara, porém, poucos - ou ninguém - vê.


Eu não me canso de pensar, mas, pensar me cansa quando ficam os pensamentos em stand by e à noite, ao invés de dormir, preferem conversar. Meu rosto, então, mostra minha face cadavérica pedindo descanso em dois olhos fundos nocauteados. Uma hora o corpo começa a pescar... E já às duas, funciona a iniciativa de ir para a cama, enfim. Como se fosse fácil! A iniciativa vem dos sonhos. Depois de um pouco, novamente, de horas ocorridas em minutos é preciso escrever. Quem manda conversar tão estimulantemente em algum momento por ai?

Fomente sua idéia! É... Bem... Quer dizer... Nada disse no final. Não tenha medo de a roubarem, se for sua (risos) ninguém vai personalizá-la como você e se ocorrer o plágio ou/e a cópia deslavada melhore-a. Somos capazes sim! Já tive medo (em algum século passado) de se apropriarem do que “era” meu e só mostrava para algumas pessoas. Mas, pensei (olha só)que as idéias são de domínio público, não devem ser privatizadas e sim divulgadas, compartilhadas... O quê pensa? Pense! Mesmo se tua manhã amanhecer contrariada...

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

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“Foi ele”!

“Tenho que dizer é preciso”! Estas palavras, juntas, e cada uma delas, separadas, atormentaram a mente dele. Olhar para cima pedindo silêncio com um olhar de angústia sobre os ombros encolhidos, não era a resposta. Não obedecer tais palavras produzia um auto-estranhamento nauseante, nele, cada vez mais forte.

Ele colocava as mãos sobre o rosto e pesava a cabeça soltando um suspiro de “não agüento mais”! Mas, era só. Seus cotovelos afundavam cada vez mais sobre as coxas já raquíticas e a costas imitando uma bola de basquete, esparramavam as pernas para frente apoiadas em pés descalços. Estava se apagando por causa de palavras.

Criou uma antipatia de si mesmo e guardou tudo que refletisse sua imagem. Parou de saber das coisas e as pessoas que o conheciam, ele acreditava, que o haviam esquecido. Ele sabia que o tempo ainda passava pelo bolor nas comidas que ele não tocava pela poeira que se acumulava e pelas teias donas da casa. Mas, o principal era sua carne que ia dando forma aos ossos.

“Ela”, “Tenho que dizer é preciso”... Afundavam os olhos dele o faziam se rastejar até o banheiro onde tentava vomitar tais palavras. Escravo de si, não sabia como dizer o que precisava ser dito. Sua mente esvaziou-s também, exceto por tais palavras. Não se sabe quanto tempo foi preciso, mas, a mente ensandecendo fez o impossível para o corpo. Correu. Pleno horário de almoço. Alcançou uma praça lotada e, quando caiu, produziu um som oco no chão.

Ele não conseguiu dizer claramente. Os curiosos se amontoavam e diminuíam o ar que já lhe faltava. Gritos de silêncios não paravam, até parar. O socorro de branco prometia logo chegar. Um rosto familiar chegou feito um borrão e para formar as caras de interrogação de todos, somente encostou o ouvido nos lábios dele. Que balbuciou, na compreensão dos mais distantes, apenas gemidos. Depois apagou.

O borrão era ela. Que diante da insistência massiva, gritou aos prantos:

- “Fui eu”!, ele disse.

Ela inclinou a cabeça para a direita, como se olhasse para dentro e repetiu para si mesma em voz alta:

- “Foi ele”! Largou os ombros e correu.
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Cortes cirúrgicos

Cortes no rosto, foi na cara
As palavras não esperaram o preparo
Foram no disparo que ninguém pode ver

Misturadas ao sangue gotejam consolo
Tinha que ser assim, avisaram

Para conter a verborragia, a mão estanca
Não, não adianta tem que sangrar o alfabeto
A imagem não conta, se não falar

Mesmo no silêncio afiado, vindo nas pausas
Consagrar o dito, com tal calar bendito

Corte profundo ou discreto
Cabe ao cortado somente
Se não compreende, os cortes não foram para você

Na próxima encena, as palavras podem sobrar
Use as vírgulas, ela podem parar

As cirurgias, da gramática
Podem ser feitas por entendidos
Ou nós, leigos, no nosso modo de falar
Posso concordar com a concordância
Ou ela, enquanto palavra, se verte a me (ao meu) cortar.

18h09min. 18.11.08

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

É bem pior!

Não faça isso não faça aquilo... Parece música do Capital Inicial, mas, não é! Só estou soltando as rédeas sobre as regras. Nada de pessoal nem de rebeldia. Só sou eu mesmo! É que em uma última leitura sobre politicamente correto (pc), me senti incomodado. Não sou de falar palavrões, a não ser em jogos do meu time de bambis – salta que é uma beleza -, da Seleção Brasileira de qualquer modalidade. Não pergunte por que, é quase inerente. Vamos lá! Cada um se expressa a sua maneira (dèja vu) e muita palavras podem ofender. Aí você pensa: P*&%$, meu!! Tudo é ofensivo, então. Se eu disser “OI!” em tom agressivo, quem recebeu o “cumprimento” pode se ofender e tudo pode desandar. Somos desentendidos. Não, não tem um “d” sobrando. É isso mesmo.

Lia lá, que tudo começou nas escolas (sempre as culpadas). Justo com os seres mais espontâneos. A manipulação começa nos livros escolares mostrando o que você pode saber (deve ser) obviamente, por exclusão, o que não pode. Informações parciais. Será que é a teoria da conspiração para facilitar a futura manipulação? A malícia é a habitante do papel amassado dos ouvidos, sempre alerta. Até um olhar interessado denuncia que você quer sexo, que você não presta ou qualquer incômodo. É PROIBIDO NÃO SIGNIFICAR NADA!

E se nada significar pra mim? Oras! Me esqueçam! Não é nada pc você ler e não saber citar as vogais e consoantes que se abraçam do livro lido! Porquê? Quem inventou estas regras? Com quem reclamo? Este ser ninguém sabe ninguém viu ninguém tem referência... Alguém conhece este ninguém? Desaprendemos a conversar temos medo do que o outro irá entender. Humm! É por isso que cada vez mais o vocabulário dá lugar as gírias e abreviações... Eu não quis ser solidário e adotar a desculpa... Ah, não... É uma frase: “Não foi isso que eu quis dizer”!

Sempre digo o que quero ou me calo. Se o outro não entender que pergunte. Qual a dificuldade? Já me preocupei muito com tachações e sofri minhas taxas. As palavras têm seus famosos pesos e medidas, podem estar totalmente vazias de significados para você e eu já colocar nelas todos os significados possíveis. Como saber? Pergunte, oras! Minha capacidade de Nostradamus já não me acompanha mais... Quem sabe quando for Matusalém, elas voltem para onde nunca vieram. Oh, povo, por que perdeste a espontaneidade?

Ah, sim, as palavras são armas. Este é o motivo. Temos que ter cuidado com o que falamos. Tudo explicado, então... Posso ir embora? Será a famosa possibilidade do tiro pela culatra? A diferença é a operação da retirada do projétil – só porque dificilmente, neste caso, ele passaria direto pelo corpo. Elas não matam (as palavras). Não no ato, nem durante o trajeto para o hospital ou durante a recuperação. Elas precisam ser ditas, por isso existem e o mesmo pensamento não vale para as armas brancas ou de fogo. As palavras vão incomodar? Talvez. Vão abrir ou fechar feridas? É possível. Mas, deixa-las guardadas é bem pior. Faça! Se tiver que se arrepender, de algum modo irá. E como irá! HAHAHA...

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

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Acho...?!

Foi por último. Os olhos a procuraram desde o início da tarde antes do banho até o fim da noite depois da despedida. Conversar? Só na segunda vez... Ele sempre deixou o melhor para o fim para apreciar mais, para não passar do querer logo de cara.

Os livros, de quatro comprados, o melhor ficava na expectativa. O que tornava os outros melhores do que eram, mas, nada se comparava ao último livro. Ele sabe se deliciar aos poucos. Pedaço por pedaço daquele chocolate vai à câmera lenta da mão para a boca, é preso nos lábios, apoiado pela língua salivada e só então, os dentes começam a afundar detalhe por detalhe.

Não foi ao acaso a conversa com todas as amigas dela e duas semanas depois trocar (neste instante) pequenas palavras pelo encantamento total por ele esperado. Os olhos nada mais procuravam se encontravam bem rente na inexistência da distância se afastando.

Ele está vestido de boina. Um azul virado para trás escrito OUSADIA. Está também com um verde mar quando o sol se põe surrado, tanto camiseta quanto bermuda e um all star desfiado de ambas as cores. Ela de preto como os próprios cabelos, com médias conchas nas orelhas, saia jeans um dedo acima do joelho e sandálias pretas abertas. Está quente e mesmo assim suave! Tudo!

Ele lhe pega os pés, coloca no colo e massageia como se tirasse as dores do mundo, a olhando na noite dos olhos dela: cheios de estrelas e uma lua cheia. As palavras estão repousadas sem precisarem se incomodar. É o silêncio perfeito no encontro do toque!

O rosto dela se aproxima. A mão direita dela se encontra com a boina. Não é carinho... As palavras são incomodadas:

- O teu querer está debaixo da boina?!

Ele se distanciou como trovões no fim da chuva. Ela como um último raio, caiu:

- Acho que sempre te quis!

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Terça-feira, Novembro 18, 2008

Pra quê roupas?

Por que o calor não se foi? A insônia das idéias exercita tudo nestas noites quentes. Deitado no chão sobre um colchonete fino e um lençol quando durmo, durmo bem. Mas, com este mormaço o que me mantém acordado é pensar demais. Se bem que agora um vento fresco balança a cortina da janela semi-aberta. Viro para um lado, para outro. Abraço um travesseiro confortável, levanto. Peguei o papel, o lápis, me inclinei na “cama”, abri o celular e comecei a rabiscar. É! É uma música! Veio do momento, veio daquele belo rosto de mulher. Assim são as idéias temos que respeitá-las mesmo, às 3h da madrugada.

Minutos depois termino a dita música – vou lá decifrar a melodia agorinha. De uma idéia cria-se um monte e o celular não respeita meu tempo. A bateria m deixou no escuro. Até, às 4h, digo para mim mesmo: “Fui lá escrever”. Levanto escrevo, deito penso repetidas e sorridentes vezes. No fim parece que os ciclos foram fechados porque só o calor me acorda de novo, mas, como vejo pés solitários na cama fecho minhas janelas de novo. Não adianta mais esvaziar a mente, ouvir as respirações, pensamentos e sentimentos são mais fortes e se ocupam de me manter de olhos abertos inquietos.

Enquanto não revelar esta força mim, permaneço em eterna vigília da minha mente inusitada. Agradeço o dom incansável que cada vez se cansa menos como eu. Contraditório feito este calor me achando com jeito de gelo e ainda assim o céu se agita retumbante lá fora, solta seus pingos tímidos e aumenta o som dos trovões ecoantes, já os raios me avisam que devo voltar para o ruído gostoso do lápis no papel, mas, antes tudo fora da tomada!

Venta do céu escuro para cá e o calor nem aí. Diz que aqui é o lugar dele e pontua um fim. Gostaria de saber quem contou tal despautério para ele...! Agora agüenta. Vamos a água. Estas chuvas divididas em capítulos dramáticos por aqui – e nem chove de verdade ainda – parecem histórias de assombração para crianças: deixa todos acordados assustados. É só o tempo calórico acizentar e o clima celeste ficar colérico, que os olhos se arregalam em Ribeirão Preto. Estou me sentindo ameaçado, pois, a chuva não vem o calor não vai e não sei o que acontece no mundo hoje. Nada de internet e tevê (já que não tenho o jornal do dia ou alguma das revistas da semana – só mensais).

Em uma terça – há duas semanas exatamente – choveu pacas (e não estou falando do mamífero paquiderme peludo) no meio da tarde, parou voltou no fim do expediente para início da noite e então três horas depois veio o capítulo final – eu esperava, em vão, uma conclusão na madrugada. Quem não gosta de dormir com o ritmo da chuva... Houve um mistério em casa (Só descobri na noite seguinte). A única tevê – agora descartada – foi alegada queimada sem estar sequer na tomada... Como?!?! Mistério de Cid Moreira... Deixa olhar pela janela... Caraca!! Se chover metade da escuridão do céu, vou mudar meu nome para Noé. Preciso comprar madeira...

E mesmo assim C A L O R bem soletrado e abafado. Até sugeri minha intenção de ir de cueca para um barzinho aí, mas, conclui que na prisão é mais quente – fora os “riscos” de estar nela só de cueca. Fica a dica: dispa-se. Calor ou chuva a roupa só vai prejudicar...

Aceno de até

Pareço-me branco – não da inexistente raça, tolo
Tanto sinto que algo escreve em mim
De um muro extensivo sem tijolo
Pode ser eu mesmo de pirraça
Fragmentado nos silêncios intensos das minhas falhas

Posso ter apagado minha consciência
Para escrever sem história recente um arquivo a não esconder
Seja lá quem eu seja

A fala dita linha a linha em ouvidos subentendidos
A mala da vergonha confessa de desentendidos
No caminhar sólido que fraqueja
Talvez uma toupeira no seu buraco deficiente escuro

Ou um ser imundo abandonado de esperança na sarjeta do olho
Com a profundidade da poeira de fundo
Não importa a ninguém que meus sinos toquem
Eles tocam e importa

Estou branco todo tempo
Até o tempo seguinte esvaziar meus escritos espontâneos
Até eu inclinar a cabeça e ver o meu tamanho
Até o mundo crescer.

17.1108 - 16h21min.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

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Presta atenção!

O cansaço se foi... Não, não era cansaço. Era desânimo escondido. Olhos afundados na olheira roxeada, raiva, exclusão, falsa necessidade constante de solidão. Faça um favor: não me cobre! Um alerta principal... Principalmente se me conhece e já falamos sobre isso.

É o que me irrita. Vai à dica. Não importa se estou fazendo miríades de coisas e de repente nada faço. Faça qualquer cobrança e ganhará um belo escárnio risonho. Mas, diga o que eu preciso fazer insistentemente para ver uma feição assassina se formar.

Lê-se um rosto assim: os lábios somem e se pressionam, as mandíbulas travam e um olhar desconfortável e vermelho toma a dimensão de um mangá maligno. A neblina se forma e como uma máquina de fumaça nada mais é certo como não era até, então.

Caso um silêncio permaneça sepulcral... Se afaste! Aproveite que ainda tem sorte e não ouviu análises contundentes e agressivas sobre você! Vá! Não há nada atrás. Depois quando a fumaça permitir enxergar novamente, volte e resolva isso. Nada fica pendente impune! Mesmo que as aparências continuem a enganar.

O ser humano tem uma capacidade de armazenamento impressionante que pode se distorcer. São cheiros, detalhes de roupas, de tempo, espaço acumulados – às vezes – indevidamente. A mente domina o corpo, que cansado pode parecer campeão mundial de resistência e ainda exibir o ar mais saudável já visto. Mais desconhecidos do que as profundidades dos oceanos só a mente e os sentimentos.

- Se olharmos bem o cansaço ainda está lá! ____________________________________________

Câmera escura

É como se eu andasse de ponta cabeça! Um estranho no mundo de estrangeiros. Estrangeiros olhando estranhos e julgando... Um respirar fundo, para não praticar a ignorância, e encontrando caneta e papel enquanto o computador está ocupado. Meus olhares e vontades se espalham. Descubro-me em cada palavra desenhada entre um neurônio e outro até que no lapso das sinapses vejo naturalmente entrar no ringue, das vogais ancoradas no abismo de consoantes absintas, um sentido múltiplo para todo sentimento elétrico perturbando minha pasmeira temporária. Então, o saco de palavras recebe golpes ligeiros e sintonizados no futuro próximo passante. E toda satisfação das artes marciais, das interações sociais, dos beijos colossais colados em lábios de mulheres da minha inspiração são prosas e versos do meu crescimento ignorante de corpo para alma.

Um cotidiano compulsivo de convulsões tentando ligar constantemente o corpo e a mente para os desligar em seguida. Um sentido para cada movimento da pupila diante da luz e das próprias sombras. Nada a explicar logo depois, porque explicar tudo é pedante é um pé doloroso nas partes íntimas. Digo que é difícil exercitar o silêncio - como ninguém que insisto em dizer que sou -, mas, gosto do sabor da dificuldade salivando na boca trancada a dentes fortes. Foi assim que descobri o silenciar total do cérebro ao meio de tantos barulhos na visão do outro. Não me isentei totalmente do fato fatídico de julgar, mas, me isento de ficar com qualquer opinião minha ou alheia antecipada de qualquer lua cheia, de qualquer olhar triste.

Você aí no seu canto, me vem vazio de imagem formada por mais que ela exista quando o espelho te olha de volta. É como olhar um grão de areia e querer catalogá-lo na estatística de pedras que viraram pó, ou melhor, grão. Você vai se transformando, perante meus olhos, em quem é - se for de fato - aos poucos. Gosto de ouvir (e muito) e se querem que eu diga, eu digo. Mas, de costume começo calado com olhos espalhados e ouvidos onipresentes... Agora, se vier conversando ou se tivermos lado a lado em alguma perdição urbana de passagem me sinto na obrigação de abrir a boca. Nem que seja para bocejar. Nem sempre falo para todos ou qualquer um, mas definido e definitivo - por mais que sejam praticamente sinônimos – não fazem parte de pessoas que sabem ser livres e nem das que não descobriram ainda.

Se eu não sou definido é pelo simples fato de não ser estático e mesmo se fosse o quê seria? Uma pedra...? E as ações naturais de vento, chuva, bactérias, fungos e sei lá mais o quê, não conta? A certeza absoluta não é parente consangüínea da arrogância? Ah, não!? Engano meu, desculpe... É que certezas são tão momentâneas quanto à morte! Falando nesta senhorita enxuta da idade do cosmos, um cadáver não é definitivo...! Ah, não estou criando mais uma “aprimorada” história de “mortos-vivos”! Quero escrever que aquele corpo sem vida – se não estiver em cinzas - irá se decompor e... Claro será alimento da terra até virar pó. A conclusão “brilhante”: até mortos se movimentam!



São olhares que o cérebro imagina! E...? A imagem captada é do avesso! Protestos? Avesso é, por exemplo, de dentro (“a camiseta está do avesso”)? Ou seja, ao contrário? Seria invertido nos seus olhares? Não!O inverso de deitado não é m pé é de bruços – caso esteja deitado de costas – e de dentro não é de fora? Voltando a imagem captada... “Exatamente” daí que veio a idéia da câmera escura (foi é?)... Aquela caixinha antiga com aquela “luz que estourava” pronto a imagem congelada forever and ever... Velhos, itens raros lambes-lambes! Aí eu diria que a foto é definitiva e definida concluindo uma imensa contradição gritante... Ouve aí? Os gritos? Olhares do avesso, olhares do avesso, olhares do avesso agora mais três vezes! Quem vê o mundo da mesma maneira, cuspida e parcial, que o outro? Hipocrisia! Se fosse crime todos beberiam por vontade cicuta... Algum platônico pensador (olha que legal) já pensou e não guardou para si (agradecemos por isso, pois, ninguém mais pensaria...) que há o mundo real e o das idéias. Ele, platonicamente, explicou em qual deles vivemos. Eu digo que nossas ideologias nos fazem chorar, mas nos dão força (ohhh) para continuarmos com elas em segredo ou “criar” outras... Porém, quem sou eu?!

Olhares do avesso


Do lado de cá há um mundo torto

morto por fora pela minha visão interna

passando do avesso do que faz a cabeça afirmar

as atitudes paternas a tomar todos os sexos atrapalhados

na mistura de um vidro partido dividido entre dormir acordar


Neste grito incalável rompendo a garganta que escancara

incontrolável seus pensamentos aversos do olho do mundo furado

com a responsabilidade vestida de palavras descoloridas de trapos marcados

pelos rasgos temporais caminhando no destelho inverso descendo o sangue pra cabeça em frases formadas pelo enjôo expelido para terra firme movediça de condições descompromissadas do elevador da alegria camuflada nesta cara zangada

por richas desenhadas no ranger palhaço do chacoalhar apertado das bochechas amestradas


Girando no tédio o teto fechado por trás dos olhares atentos

vendo movimento nas pedras jogadas de ressentimentos

no fundo falso das almas fingidas olhando o nada na extensão

contrária de um avesso simples de discordância renegada


Olhares do avesso me atravessaram no meu mundo paralelo por escrito

lido no brilho fosco distante dos meus olhos presentes em todo momento de olhar

circulando os detalhes em algum lugar de linhas tortas esperando o agir do destino

nas tintas invisíveis do livre-árbitrio confiscado na confecção das máscaras rachadas


01h16min. 17.11.08